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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Parada do nosso amor...



Num dos anexos de seu glorioso Devassos no Paraíso, João Silvério Trevisan fala sobre as paradas gays e seu impacto em nossa vida social e representação política. O anexo se chama "A parada do nosso amor". Sempre gostei do título, pois é essencialmente isso mesmo, uma parada (do/pelo/em prol do) nosso amor.

Ontem, o Rio teve sua 14ª Parada, e mais uma vez eu tive a confirmação de que mesmo com a festa, este é um evento político de importância única, que para mim representou uma redenção e um recomeço.

A simples visibilidade já é significativa, mas no Rio temos um governador que apóia e comparece ao evento (e até dança...). Sem conseguir fugir de citar a vitória olímpica, Sérgio Cabral discursou e apoiou o evento, terminando com o óbvio: Se um homem gosta de outro, é problema só dele...
Nosso prefeito prometeu aumentar os recursos para o evento, que é tão benéfico para a cidade, e criar uma coordenadoria para promover o desenvolvimento de políticas públicas para a população GLBT.
Os trios mandavam o recado da igualdade e da tolerância, e uma religião sem preconceitos fazia divulgação (enquanto uma outra tentava nos convencer de que "a mulher é para o homem, segundo a vontade de Deus", e viva a diversidade de opiniões).

Choveu do início ao fim, mas isso não desanimou o povo. Hoje, veio a coroação. Apesar de ainda ser um título discutível, as preces do meu homofóbico detrator virtual não deram em nada (Deus devia ter mais o que fazer...), e o Rio foi escolhido como o melhor destino gay do mundo. Isso é ótimo para a cidade olímpica, pois mesmo que ainda estejamos longe do ideal, é mais um estímulo para chegar lá (o melhor destino americano é Nova York, and boy, we WILL be together again!).

Distribuição de camisinhas, divulgação de Do Começo Ao Fim e tivemos um evento pacífico, bonito, significativo e divertido. Um sucesso.

Para mim, um novo ciclo. Sete paradas atrás, eu estava feliz da vida, pois finalmente tinha encontrado alguém para chamar de meu. O Brasil era penta, e a alegria generalizada só fez da parada uma festa maior. Redescobri um amigo de infância e revi o L.D, que logo se tornaria tão fundamental para minha vida. Tinha esperanças... Nesse ano, foi um recomeço. Talvez a chuva tenha servido para "lavar a alma".
Não gosto dessa idéia de "Lei do retorno", acho simplista, como quase todas as teorias que buscam confortar o povo. Se Deus não existe, EU sei bem que o meu antigo relacionamento teve muitos momentos felizes, mas claro, foram os ruins que o levaram ao fim, e talvez eu tenha sido recompensado por eles... O meu piercing no nariz está de volta. Involução? Prefiro pensar que é uma aliança. Depois de anos, eu finalmente posso voltar ao que era, sem perder o que aprendi no caminho. Relacionamentos são complicados, pois é difícil se adaptar a uma pessoa nova, desconhecida, que de súbito fica tão próxima. É preciso se comprometer, mudar... e não me arrependo de nenhuma mudança que tive. As reversíveis não eram mudanças verdadeiras, então basta retomar o que havia de bom no meu antigo eu, tão jovem, e adicionar a experiência desses sete anos. Talvez as energias da compensação tenham agido para que eu estivesse preparado para recompensa, pois eu tenho certeza que sou uma pessoa melhor agora, muito mais merecedora desse novo amor, desse novo tempo, desse recomeço...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

É pra protestar mesmo...

"Nota oficial da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo sobre casos de violência homofóbica pós-Parada

Considerando as manifestações homofóbicas ocorridas em locais de freqüência de LGBT após a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vem a público manifestar sua indignação e esclarecer que:

a. Como entidade organizadora da Parada, a Associação da Parada trabalha em parceria com a Polícia Civil e Militar para evitar situações de violência e desrespeito à legislação vigente, o que sempre fez da Parada uma atividade pacífica e com baixos índices de ocorrências relativamente às proporções da manifestação;

b. Como entidade ativista pelos direitos LGBT, a Associação da Parada considera que os atos marcadamente homofóbicos que ocorreram após o evento, como o espancamento na rua Frei Caneca e o arremesso de uma bomba de um condomínio na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, são expressões da homofobia a que estão submetidos cotidianamente LGBT na cidade de São Paulo e no Brasil. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico (na pesquisa divulgada pela FPA, 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu preconceito);

c. Consideramos, ainda, que os casos ocorridos se revestem de especial gravidade, sobretudo pelo significado que adquirem ao atingir integrantes de uma comunidade altamente estigmatizada e violada em seus direitos no dia em que se manifesta em favor do reconhecimento desses direitos;

d. Assim sendo, reiteramos nosso clamor, expresso também por via de Ofício encaminhado pela Associação da Parada, para que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo atue com afinco e rigor na apuração dos fatos e na punição dos autores de tais atos de violência;

e. Conclamamos, junto a outros grupos LGBT e entidades da sociedade civil da cidade e do estado de São Paulo, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e a população solidária a comparecer à manifestação "Homofobia, Basta! Justiça, já!", que ocorrerá no próximo sábado 20 de junho, na Av. Dr. Vieira de Carvalho, a partir das 19 horas.

Diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 16 de junho de 2009"