E ontem começou o BBB, em sua edição "colorida".
A primeira decepção já veio com o fim da prova do líder, que colocou de volta na casa a ex-miss Joseane, ao invés das maravilhosas Fani Pacheco ou Nathália Cassassola. Mas o programa começou bem.
Carlos sem camisa é algo simplesmente glorioso, então é aproveitar para olhar enquanto ele ficar por lá. Minha torcida ainda está com Dicésar, mas até que Sérgio ganhou minha simpatia. Se eu não tivesse visto as fotos dele montado, até dava uns pegas. Angélica, a lésbica, parece bastante sensata. Adorei o chega-pra-lá que ela deu na Eliane, que saiu se apresentando dizendo que não é piranha...
Temos que olhar o programa com atenção, para ver como as questões da diversidade vão aparecer. Big Brother é tratado pela mídia intelectualizada como bobagem, mas qualquer programa que faça tanto sucesso é relevante. Vira conversa nas ruas, mobiliza emoções, e por isso mesmo espelha pensamentos e cultura.
Em edição tão gay, será interessante ver a reação do povo nas ruas e as conversas sobre o assunto na casa. Espero que os participantes não percam a chance de levar bons argumentos à emissora de maior repercussão no país.
#
Em Brasília, o lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos gera polêmica. Como sempre, o governo resolveu "amarelar" por medo de pressões e consequente perda de votos... é uma pena.
Não vou nem falar do casamento gay, por que já estou cansado desse assunto. Mas não SUPORTO criarem polêmica com o aborto.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A Parada do nosso amor...
Num dos anexos de seu glorioso Devassos no Paraíso, João Silvério Trevisan fala sobre as paradas gays e seu impacto em nossa vida social e representação política. O anexo se chama "A parada do nosso amor". Sempre gostei do título, pois é essencialmente isso mesmo, uma parada (do/pelo/em prol do) nosso amor.
Ontem, o Rio teve sua 14ª Parada, e mais uma vez eu tive a confirmação de que mesmo com a festa, este é um evento político de importância única, que para mim representou uma redenção e um recomeço.
A simples visibilidade já é significativa, mas no Rio temos um governador que apóia e comparece ao evento (e até dança...). Sem conseguir fugir de citar a vitória olímpica, Sérgio Cabral discursou e apoiou o evento, terminando com o óbvio: Se um homem gosta de outro, é problema só dele...
Nosso prefeito prometeu aumentar os recursos para o evento, que é tão benéfico para a cidade, e criar uma coordenadoria para promover o desenvolvimento de políticas públicas para a população GLBT.
Os trios mandavam o recado da igualdade e da tolerância, e uma religião sem preconceitos fazia divulgação (enquanto uma outra tentava nos convencer de que "a mulher é para o homem, segundo a vontade de Deus", e viva a diversidade de opiniões).
Choveu do início ao fim, mas isso não desanimou o povo. Hoje, veio a coroação. Apesar de ainda ser um título discutível, as preces do meu homofóbico detrator virtual não deram em nada (Deus devia ter mais o que fazer...), e o Rio foi escolhido como o melhor destino gay do mundo. Isso é ótimo para a cidade olímpica, pois mesmo que ainda estejamos longe do ideal, é mais um estímulo para chegar lá (o melhor destino americano é Nova York, and boy, we WILL be together again!).
Distribuição de camisinhas, divulgação de Do Começo Ao Fim e tivemos um evento pacífico, bonito, significativo e divertido. Um sucesso.
Para mim, um novo ciclo. Sete paradas atrás, eu estava feliz da vida, pois finalmente tinha encontrado alguém para chamar de meu. O Brasil era penta, e a alegria generalizada só fez da parada uma festa maior. Redescobri um amigo de infância e revi o L.D, que logo se tornaria tão fundamental para minha vida. Tinha esperanças... Nesse ano, foi um recomeço. Talvez a chuva tenha servido para "lavar a alma".
Não gosto dessa idéia de "Lei do retorno", acho simplista, como quase todas as teorias que buscam confortar o povo. Se Deus não existe, EU sei bem que o meu antigo relacionamento teve muitos momentos felizes, mas claro, foram os ruins que o levaram ao fim, e talvez eu tenha sido recompensado por eles... O meu piercing no nariz está de volta. Involução? Prefiro pensar que é uma aliança. Depois de anos, eu finalmente posso voltar ao que era, sem perder o que aprendi no caminho. Relacionamentos são complicados, pois é difícil se adaptar a uma pessoa nova, desconhecida, que de súbito fica tão próxima. É preciso se comprometer, mudar... e não me arrependo de nenhuma mudança que tive. As reversíveis não eram mudanças verdadeiras, então basta retomar o que havia de bom no meu antigo eu, tão jovem, e adicionar a experiência desses sete anos. Talvez as energias da compensação tenham agido para que eu estivesse preparado para recompensa, pois eu tenho certeza que sou uma pessoa melhor agora, muito mais merecedora desse novo amor, desse novo tempo, desse recomeço...
Ontem, o Rio teve sua 14ª Parada, e mais uma vez eu tive a confirmação de que mesmo com a festa, este é um evento político de importância única, que para mim representou uma redenção e um recomeço.
A simples visibilidade já é significativa, mas no Rio temos um governador que apóia e comparece ao evento (e até dança...). Sem conseguir fugir de citar a vitória olímpica, Sérgio Cabral discursou e apoiou o evento, terminando com o óbvio: Se um homem gosta de outro, é problema só dele...
Nosso prefeito prometeu aumentar os recursos para o evento, que é tão benéfico para a cidade, e criar uma coordenadoria para promover o desenvolvimento de políticas públicas para a população GLBT.
Os trios mandavam o recado da igualdade e da tolerância, e uma religião sem preconceitos fazia divulgação (enquanto uma outra tentava nos convencer de que "a mulher é para o homem, segundo a vontade de Deus", e viva a diversidade de opiniões).
Choveu do início ao fim, mas isso não desanimou o povo. Hoje, veio a coroação. Apesar de ainda ser um título discutível, as preces do meu homofóbico detrator virtual não deram em nada (Deus devia ter mais o que fazer...), e o Rio foi escolhido como o melhor destino gay do mundo. Isso é ótimo para a cidade olímpica, pois mesmo que ainda estejamos longe do ideal, é mais um estímulo para chegar lá (o melhor destino americano é Nova York, and boy, we WILL be together again!).
Distribuição de camisinhas, divulgação de Do Começo Ao Fim e tivemos um evento pacífico, bonito, significativo e divertido. Um sucesso.
Para mim, um novo ciclo. Sete paradas atrás, eu estava feliz da vida, pois finalmente tinha encontrado alguém para chamar de meu. O Brasil era penta, e a alegria generalizada só fez da parada uma festa maior. Redescobri um amigo de infância e revi o L.D, que logo se tornaria tão fundamental para minha vida. Tinha esperanças... Nesse ano, foi um recomeço. Talvez a chuva tenha servido para "lavar a alma".
Não gosto dessa idéia de "Lei do retorno", acho simplista, como quase todas as teorias que buscam confortar o povo. Se Deus não existe, EU sei bem que o meu antigo relacionamento teve muitos momentos felizes, mas claro, foram os ruins que o levaram ao fim, e talvez eu tenha sido recompensado por eles... O meu piercing no nariz está de volta. Involução? Prefiro pensar que é uma aliança. Depois de anos, eu finalmente posso voltar ao que era, sem perder o que aprendi no caminho. Relacionamentos são complicados, pois é difícil se adaptar a uma pessoa nova, desconhecida, que de súbito fica tão próxima. É preciso se comprometer, mudar... e não me arrependo de nenhuma mudança que tive. As reversíveis não eram mudanças verdadeiras, então basta retomar o que havia de bom no meu antigo eu, tão jovem, e adicionar a experiência desses sete anos. Talvez as energias da compensação tenham agido para que eu estivesse preparado para recompensa, pois eu tenho certeza que sou uma pessoa melhor agora, muito mais merecedora desse novo amor, desse novo tempo, desse recomeço...
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Associação de idéias...
Aí, o tópico da semana foi a declaração do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), associando o câncer de mama masculino às paradas gays.
Me lembrei de quando não podia brincar de boneca para não "virar" gay. É impressionante como esse povo preconceituoso faz as mais mirabolantes associações... Por que assim, se estivessem falando de AIDS, tudo bem, seria ridículo e muito preconceituoso, mas há um estigma, e poderia-se dizer que as paradas estimulam promiscuidade, enfim... Mas nesse caso, não há nenhum tipo de linha lógica a ser seguida! Como pode passar na cabeça de uma pessoa teoricamente estudada que um tipo de câncer vá se desenvolver por causa de um desfile?
Aí, claro, algum assistente redigiu um comunicado para a Fátima Bernardes ler, onde o governador diz que "era tudo brincadeirinha" e, como sempre, que a militância gay está agindo com muita severidade... Fiquei pasmo com essa história toda!
O bom é que o mais prejudicado é ele mesmo, né? Como idéia tão absurda jamais será considerada, fica o registro de um episódio ridículo e de um político (que deveria ser ao menos hipócrita e saber o que não dizer...) que passou atestado de ignorância em âmbito nacional.
*
Lembrete: Nesse domingo é a 14ª Parada do Orgulho Gay do Rio (e a primeira onde estarei livre, leve e solto...), não percam!!!
Me lembrei de quando não podia brincar de boneca para não "virar" gay. É impressionante como esse povo preconceituoso faz as mais mirabolantes associações... Por que assim, se estivessem falando de AIDS, tudo bem, seria ridículo e muito preconceituoso, mas há um estigma, e poderia-se dizer que as paradas estimulam promiscuidade, enfim... Mas nesse caso, não há nenhum tipo de linha lógica a ser seguida! Como pode passar na cabeça de uma pessoa teoricamente estudada que um tipo de câncer vá se desenvolver por causa de um desfile?
Aí, claro, algum assistente redigiu um comunicado para a Fátima Bernardes ler, onde o governador diz que "era tudo brincadeirinha" e, como sempre, que a militância gay está agindo com muita severidade... Fiquei pasmo com essa história toda!
O bom é que o mais prejudicado é ele mesmo, né? Como idéia tão absurda jamais será considerada, fica o registro de um episódio ridículo e de um político (que deveria ser ao menos hipócrita e saber o que não dizer...) que passou atestado de ignorância em âmbito nacional.
*
Lembrete: Nesse domingo é a 14ª Parada do Orgulho Gay do Rio (e a primeira onde estarei livre, leve e solto...), não percam!!!
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Eu tive um sonho ou We're back!
Estágio novo, Festival de Cinema do Rio, trabalhos cansativos e acabamos nos afastando por quase um mês. Para os que sentiram falta: obrigado! Para os que nem repararam ou se importaram: estamos de volta e com ganas de melhorar.
Mais uma parada do orgulho no Rio, mais uma parada proibida pelo preconceito de seus governantes - dessa vez em Caxias. E eu continuo pensando em que diabos estavam pensando quando nomearam a cidade do Rio como um dos melhores destinos gays. Esse povo nunca ouviu falar na palavra coió.
Todo gay da cidade conhece alguma história ou conhece alguma vítima. Tudo bem, acontece em muitas cidades e é por isso que eu fui no site e votei na Argentina. Se é pra votar num país latinoamericano que seja lá. Pode ter coió na Argentina, mas lá gays podem casar, com ressalvas, mas podem. Além de tudo os argentinos investem no turismo gay enquanto aqui no Rio a única propaganda que atrai gringos são as promessas de belos descamisados na praia.
Eu não estou reclamando, as coisas são como são, por ora. E foi isso que eu lembrei enquanto escutava a linda música da Gwen Stefani sobre segregação racial. Na música há trechos do discurso do Martin Luther King e confesso que fiquei emocionado ao perceber que o sonho dele nunca esteve tão próximo quanto agora com a eleição do Barack Obama.
Fico triste em pensar que talvez eu também não viva para ver o sonho de direitos iguais para todos sem distinção, também, de orientação sexual no Brasil. Mas tenho certeza de que quando a hora chegar alguém ficará tão feliz quanto eu...
Mais uma parada do orgulho no Rio, mais uma parada proibida pelo preconceito de seus governantes - dessa vez em Caxias. E eu continuo pensando em que diabos estavam pensando quando nomearam a cidade do Rio como um dos melhores destinos gays. Esse povo nunca ouviu falar na palavra coió.
Todo gay da cidade conhece alguma história ou conhece alguma vítima. Tudo bem, acontece em muitas cidades e é por isso que eu fui no site e votei na Argentina. Se é pra votar num país latinoamericano que seja lá. Pode ter coió na Argentina, mas lá gays podem casar, com ressalvas, mas podem. Além de tudo os argentinos investem no turismo gay enquanto aqui no Rio a única propaganda que atrai gringos são as promessas de belos descamisados na praia.
Eu não estou reclamando, as coisas são como são, por ora. E foi isso que eu lembrei enquanto escutava a linda música da Gwen Stefani sobre segregação racial. Na música há trechos do discurso do Martin Luther King e confesso que fiquei emocionado ao perceber que o sonho dele nunca esteve tão próximo quanto agora com a eleição do Barack Obama.
Fico triste em pensar que talvez eu também não viva para ver o sonho de direitos iguais para todos sem distinção, também, de orientação sexual no Brasil. Mas tenho certeza de que quando a hora chegar alguém ficará tão feliz quanto eu...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
ALOCKA!!!
Gente, pelamordedeus, assinem o abaixo-assinado para proteger a tradicional boate A LOCA, este TEMPLO me deu uma das melhores noites deste ano, pois foi o único lugar que tocou o tema de "Maria do Bairro" sem eu precisar pedir, e não pode sofrer por causa de homofobia! Assinem!!!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
LUTO
Notícia do Mix Brasil.
Morreu hoje o homem atacado após a Parada Gay de São Paulo. Marcelo Campos Barros foi espancado por um grupo de pessoas nas proximidades da Praça da República.
O cozinheiro, de 35 anos, sofreu traumatismo craniano e passou por uma cirurgia, mas não resistiu e foi declarado morto nesta tarde.
Segundo amigos, Marcelo sequer participou da Parada e só passava pelo local.
*
Com isso, a bomba na dispersão, o corte de verba e a possibilidade de sair da Paulista, fica difícil continuar pensando na Parada como um desfile harmonioso pelos nossos direitos.
Por ser carioca, eu sempre me senti protegido. Já escutei muita coisa, especialmente quando era criança, mas não tenho medo de sair na rua ou de dizer que sou gay quando alguém pergunta. Vivo numa ilusão de que o tamanho da minha cidade me protege.
Mas então, essas coisas acontecem na vizinha e muito maior São Paulo. E aí? Eu sempre tive facilidade em criticar a lamentar os crimes contra travestis no interior do Nordeste, pois é uma realidade distante, que eu posso considerar como apropriada a uma sub-cultura regional.
Mas aí acontece uma coisa assim e em tempos de crise mundial com o Brasil respeitado, eu já estava quase considerando o país como "evoluído", pelo menos de acordo com os meus conceitos.
Mas ainda temos evangélicos impedindo questões GLBT de serem votadas no congresso e gente morrendo de tanto levar porrada, na maior cidade do País, simplesmente por que é dia da (maior) Parada Gay.
Fico PUTO.
Morreu hoje o homem atacado após a Parada Gay de São Paulo. Marcelo Campos Barros foi espancado por um grupo de pessoas nas proximidades da Praça da República.
O cozinheiro, de 35 anos, sofreu traumatismo craniano e passou por uma cirurgia, mas não resistiu e foi declarado morto nesta tarde.
Segundo amigos, Marcelo sequer participou da Parada e só passava pelo local.
*
Com isso, a bomba na dispersão, o corte de verba e a possibilidade de sair da Paulista, fica difícil continuar pensando na Parada como um desfile harmonioso pelos nossos direitos.
Por ser carioca, eu sempre me senti protegido. Já escutei muita coisa, especialmente quando era criança, mas não tenho medo de sair na rua ou de dizer que sou gay quando alguém pergunta. Vivo numa ilusão de que o tamanho da minha cidade me protege.
Mas então, essas coisas acontecem na vizinha e muito maior São Paulo. E aí? Eu sempre tive facilidade em criticar a lamentar os crimes contra travestis no interior do Nordeste, pois é uma realidade distante, que eu posso considerar como apropriada a uma sub-cultura regional.
Mas aí acontece uma coisa assim e em tempos de crise mundial com o Brasil respeitado, eu já estava quase considerando o país como "evoluído", pelo menos de acordo com os meus conceitos.
Mas ainda temos evangélicos impedindo questões GLBT de serem votadas no congresso e gente morrendo de tanto levar porrada, na maior cidade do País, simplesmente por que é dia da (maior) Parada Gay.
Fico PUTO.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
É pra protestar mesmo...
"Nota oficial da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo sobre casos de violência homofóbica pós-Parada
Considerando as manifestações homofóbicas ocorridas em locais de freqüência de LGBT após a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vem a público manifestar sua indignação e esclarecer que:
a. Como entidade organizadora da Parada, a Associação da Parada trabalha em parceria com a Polícia Civil e Militar para evitar situações de violência e desrespeito à legislação vigente, o que sempre fez da Parada uma atividade pacífica e com baixos índices de ocorrências relativamente às proporções da manifestação;
b. Como entidade ativista pelos direitos LGBT, a Associação da Parada considera que os atos marcadamente homofóbicos que ocorreram após o evento, como o espancamento na rua Frei Caneca e o arremesso de uma bomba de um condomínio na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, são expressões da homofobia a que estão submetidos cotidianamente LGBT na cidade de São Paulo e no Brasil. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico (na pesquisa divulgada pela FPA, 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu preconceito);
c. Consideramos, ainda, que os casos ocorridos se revestem de especial gravidade, sobretudo pelo significado que adquirem ao atingir integrantes de uma comunidade altamente estigmatizada e violada em seus direitos no dia em que se manifesta em favor do reconhecimento desses direitos;
d. Assim sendo, reiteramos nosso clamor, expresso também por via de Ofício encaminhado pela Associação da Parada, para que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo atue com afinco e rigor na apuração dos fatos e na punição dos autores de tais atos de violência;
e. Conclamamos, junto a outros grupos LGBT e entidades da sociedade civil da cidade e do estado de São Paulo, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e a população solidária a comparecer à manifestação "Homofobia, Basta! Justiça, já!", que ocorrerá no próximo sábado 20 de junho, na Av. Dr. Vieira de Carvalho, a partir das 19 horas.
Diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 16 de junho de 2009"
Considerando as manifestações homofóbicas ocorridas em locais de freqüência de LGBT após a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vem a público manifestar sua indignação e esclarecer que:
a. Como entidade organizadora da Parada, a Associação da Parada trabalha em parceria com a Polícia Civil e Militar para evitar situações de violência e desrespeito à legislação vigente, o que sempre fez da Parada uma atividade pacífica e com baixos índices de ocorrências relativamente às proporções da manifestação;
b. Como entidade ativista pelos direitos LGBT, a Associação da Parada considera que os atos marcadamente homofóbicos que ocorreram após o evento, como o espancamento na rua Frei Caneca e o arremesso de uma bomba de um condomínio na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, são expressões da homofobia a que estão submetidos cotidianamente LGBT na cidade de São Paulo e no Brasil. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico (na pesquisa divulgada pela FPA, 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu preconceito);
c. Consideramos, ainda, que os casos ocorridos se revestem de especial gravidade, sobretudo pelo significado que adquirem ao atingir integrantes de uma comunidade altamente estigmatizada e violada em seus direitos no dia em que se manifesta em favor do reconhecimento desses direitos;
d. Assim sendo, reiteramos nosso clamor, expresso também por via de Ofício encaminhado pela Associação da Parada, para que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo atue com afinco e rigor na apuração dos fatos e na punição dos autores de tais atos de violência;
e. Conclamamos, junto a outros grupos LGBT e entidades da sociedade civil da cidade e do estado de São Paulo, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e a população solidária a comparecer à manifestação "Homofobia, Basta! Justiça, já!", que ocorrerá no próximo sábado 20 de junho, na Av. Dr. Vieira de Carvalho, a partir das 19 horas.
Diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 16 de junho de 2009"
quarta-feira, 10 de junho de 2009
I`ve got my pride... and no one`s gonna take it away!
Quarenta anos atrás, pouco depois da morte ter levado Judy Garland para além do arco-íris, um grupo de homossexuais reunidos em um bar do Village foi (mais uma vez) atacado por policiais. O que mudou em 28 de Junho de 1969, foi que pela primeira vez, as bichas revidaram.
A coisa começou mesmo com os movimentos liberatistas dos anos 60, e a frequência underground do Stonewall Inn (travestis, prostitutos, traficantes e efeminados). Com um sistema que favorecia ações repressoras, não era raro que batidas policiais terminassem em violência num lugar assim, mas às portas dos anos 70, essa população marginalizada resolveu que era hora de revidar. Com protestos nas noites seguintes e o ambiente liberal do Village fomentando grupos ativistas, esse foi o marco incial do movimento que hoje é simplesmente conhecido como ORGULHO.
"ORGULHO" é a palavra escolhida por ser o oposto de "VERGONHA", que tão frequentemente é usada para diminuir homossexuais. A partir dos eventos de 1969, o movimento do orgulho ganhou o mundo (pelo menos o ocidental)e apesar de ainda termos muito pelo que lutar, já conseguimos tantas coisas nesses 40 anos... é emocionante ver as estátuas brancas do Christopher Park, em frente ao Stonewall Inn, e pensar que naquele lugar, por causa de um grupo relativamente pequeno, temos o direito de andar de cabeça erguida.
As paradas gays são hoje um tema espinhoso dentro da comunidade (e até dentro desse blog), já que seu valor ativista parece se perder numa festa hedonista de paetês. O que eu acho é que com sexo ou não, as paradas ainda prestam um grande serviço, nos colocando no mapa e movimentando dinheiro. Há homossexuais que excluem efeminados, travestis e transgêneros, numa reprodução patética do machismo a que todos nós somos expostos. É maravilhoso que esses indívíduos possam ver, mesmo que pela TV, que há muitos homens dispostos a sair na rua de salto alto, numa atitude mais valente do muitos atos heróicos. É lindo que crianças possam se divertir vendo Drag Queens se divertindo, mesmo que a princípio sintam algum estranhamento. E mesmo com festa, sempre há espaço para discursos e reinvidicações.
Nesse ano, celebramos os 40 anos do início do movimento, e nos Estados Unidos temos um presidente que declarou o mês de Junho oficialmente como o mês do orgulho. Então, vamos nos orgulhar e celebrar, pois está chegando a hora! No Brasil, temos a maior parada do mundo, e ela será neste domingo, dia 14. Eu, infelizmente, não farei meu debut na Paulista esse ano, pois a pobreza me impede, e eu tenho que ir para aquela cidade em Julho, e dois meses seguidos não dá. Mas quem sabe um dia... vou esperar pela parada do Rio, e pedir a todos os leitores que puderem ir a São Paulo nesse fim de semana, que o façam e comentem aqui.Abaixo, um calendário de algumas das paradas pós-São Paulo:
14/06 - São Paulo (SP): XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
28/06 - Porto Alegre (RS): Mini Parada do Desobedeça
28/06 – Fortaleza (CE): X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará
01/07 - Juazeiro do Norte (CE): Mês Cultural LGBT
03/07 - Juazeiro do Norte (CE): Parada do Orgulho LGBT: Por um Cariri sem Homofobia, Mais Cidadania
19/07 – Brasília (DF): 12ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília
23/08 – Teresina (PI): 5ª Semana do Orgulho de Ser
29/08 – Natal (RN): 2ª Caminhada de Lésbicas de Natal / Seminário de Lésbicas
29/08 - João Pessoa (PB): 8ª Parada do Orgulho LGBT
30/08 - Nova Iguaçu (RJ): 6ª Parada LGBT de Nova Iguaçu
30/08 – Aracaju (SE): VIII Parada GLBT de Sergipe
01/09 - Cabo Frio (RJ): 6º Cabo Free - Encontro de Cultura LGBT de Cabo Frio
06/09 - Cabo Frio (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Cabo Frio
06/09 – Florianópolis (SC): IV Parada da Diversidade
13/09 – Salvador (BA): IX Parada Gay
27/09 – Maceió (AL): 9ª Parada da Diversidade Sexual de Maceió
04/10 – Niterói (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Niterói
11/10 - Rio de Janeiro (RJ): 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio 2009
Em tempo, dois vídeos. Um, contando quase toda a história do movimento:
(não entendeu, olha as figuras, que é muita coisa para eu traduzir)
E outro, explicando de onde saiu o título da postagem (de uma música que eu adoro, embora esteja num remix bem ruim aí embaixo):
Terminando o mega-post, não esqueçam de apoiar a campanha "Não Homofobia", do maravilhoso Grupo Arco-Íris.
E tenham ORGULHO!
A coisa começou mesmo com os movimentos liberatistas dos anos 60, e a frequência underground do Stonewall Inn (travestis, prostitutos, traficantes e efeminados). Com um sistema que favorecia ações repressoras, não era raro que batidas policiais terminassem em violência num lugar assim, mas às portas dos anos 70, essa população marginalizada resolveu que era hora de revidar. Com protestos nas noites seguintes e o ambiente liberal do Village fomentando grupos ativistas, esse foi o marco incial do movimento que hoje é simplesmente conhecido como ORGULHO.
"ORGULHO" é a palavra escolhida por ser o oposto de "VERGONHA", que tão frequentemente é usada para diminuir homossexuais. A partir dos eventos de 1969, o movimento do orgulho ganhou o mundo (pelo menos o ocidental)e apesar de ainda termos muito pelo que lutar, já conseguimos tantas coisas nesses 40 anos... é emocionante ver as estátuas brancas do Christopher Park, em frente ao Stonewall Inn, e pensar que naquele lugar, por causa de um grupo relativamente pequeno, temos o direito de andar de cabeça erguida.
As paradas gays são hoje um tema espinhoso dentro da comunidade (e até dentro desse blog), já que seu valor ativista parece se perder numa festa hedonista de paetês. O que eu acho é que com sexo ou não, as paradas ainda prestam um grande serviço, nos colocando no mapa e movimentando dinheiro. Há homossexuais que excluem efeminados, travestis e transgêneros, numa reprodução patética do machismo a que todos nós somos expostos. É maravilhoso que esses indívíduos possam ver, mesmo que pela TV, que há muitos homens dispostos a sair na rua de salto alto, numa atitude mais valente do muitos atos heróicos. É lindo que crianças possam se divertir vendo Drag Queens se divertindo, mesmo que a princípio sintam algum estranhamento. E mesmo com festa, sempre há espaço para discursos e reinvidicações.
Nesse ano, celebramos os 40 anos do início do movimento, e nos Estados Unidos temos um presidente que declarou o mês de Junho oficialmente como o mês do orgulho. Então, vamos nos orgulhar e celebrar, pois está chegando a hora! No Brasil, temos a maior parada do mundo, e ela será neste domingo, dia 14. Eu, infelizmente, não farei meu debut na Paulista esse ano, pois a pobreza me impede, e eu tenho que ir para aquela cidade em Julho, e dois meses seguidos não dá. Mas quem sabe um dia... vou esperar pela parada do Rio, e pedir a todos os leitores que puderem ir a São Paulo nesse fim de semana, que o façam e comentem aqui.Abaixo, um calendário de algumas das paradas pós-São Paulo:
14/06 - São Paulo (SP): XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
28/06 - Porto Alegre (RS): Mini Parada do Desobedeça
28/06 – Fortaleza (CE): X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará
01/07 - Juazeiro do Norte (CE): Mês Cultural LGBT
03/07 - Juazeiro do Norte (CE): Parada do Orgulho LGBT: Por um Cariri sem Homofobia, Mais Cidadania
19/07 – Brasília (DF): 12ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília
23/08 – Teresina (PI): 5ª Semana do Orgulho de Ser
29/08 – Natal (RN): 2ª Caminhada de Lésbicas de Natal / Seminário de Lésbicas
29/08 - João Pessoa (PB): 8ª Parada do Orgulho LGBT
30/08 - Nova Iguaçu (RJ): 6ª Parada LGBT de Nova Iguaçu
30/08 – Aracaju (SE): VIII Parada GLBT de Sergipe
01/09 - Cabo Frio (RJ): 6º Cabo Free - Encontro de Cultura LGBT de Cabo Frio
06/09 - Cabo Frio (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Cabo Frio
06/09 – Florianópolis (SC): IV Parada da Diversidade
13/09 – Salvador (BA): IX Parada Gay
27/09 – Maceió (AL): 9ª Parada da Diversidade Sexual de Maceió
04/10 – Niterói (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Niterói
11/10 - Rio de Janeiro (RJ): 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio 2009
Em tempo, dois vídeos. Um, contando quase toda a história do movimento:
(não entendeu, olha as figuras, que é muita coisa para eu traduzir)
E outro, explicando de onde saiu o título da postagem (de uma música que eu adoro, embora esteja num remix bem ruim aí embaixo):
Terminando o mega-post, não esqueçam de apoiar a campanha "Não Homofobia", do maravilhoso Grupo Arco-Íris.
E tenham ORGULHO!
segunda-feira, 23 de março de 2009
Militância Inconsciente?
Nessa semana eu estava voltando pra casa e um homem se pôs a frente dos passageiros/platéia e começou a vender um livrinho de Saúde de A a Z. Até aí, nada de novo.
Só que depois ele começou a expressar suas opniões sobre abuso físico contra mulheres e crianças. Eu fiquei sem graça com a "pregação" do repetitivo senhor. Já o meu colega de classe e mais alguns outros passageiros o aplaudiram quando ele terminou, acredito que por deboche. Mas logo eu acompanhei os aplausos, pois admirei o gesto "político" do humilde senhor.
Não foi nesse dia que eu me dei conta de como quem foge do padrão de comportamento está fazendo política mesmo sem saber/querer. Na verdade todo mundo faz política o tempo todo. Dizer "oi" para alguém é político. Fazer questão de não dizer também.
Quem expressa "gratuitamente" o que pensa sobre o que acontece na sociedade acaba passando por louco ou mal educado. Mas como aquele senhor teria a chance de compartilhar a opinião dele com estranhos? Um comercial na TV? Um outdoor? Acho que não. E foi aí que a minha admiração pelos travesti e pintosas 24h/7dias cresceu mais.
Todos sabemos os tipos de constragimentos e abusos que dar pinta acarreta. Quem dá pinta mais ainda. E mesmo assim continuam, se recusando a acatar os papéis sexuais socialmente aceitos. Por que querem ser desse jeito e tem o direito de sê-lo.
O próprio Clodovil, mesmo tendo negado por anos sua homossexualidade, nunca o deixou de ser para o público. Ao mostrar uma postura em acordo com o estereótipo, somos percebidos pelas pessoas como sendo esse estereótipo. Dar pinta é não deixar a sua sexualidade em questão. É dizer com todas as letras, sendo gay ou não.
Alguma dúvida? Procure nos reality shows e veja quem são os gays que dão a cara a tapa publicamente. Geralmente são os que dão um pouco de pinta, porque sabem que as pessoas percebem sem que isso tenha que ser assumido. E isso para mim é mais corajoso e político do que ser "questionável" e/ou "deduzível". Como eu.
O próprio Clodovil, mesmo tendo negado por anos sua homossexualidade, nunca o deixou de ser para o público. Ao mostrar uma postura em acordo com o estereótipo, somos percebidos pelas pessoas como sendo esse estereótipo. Dar pinta é não deixar a sua sexualidade em questão. É dizer com todas as letras, sendo gay ou não.
Alguma dúvida? Procure nos reality shows e veja quem são os gays que dão a cara a tapa publicamente. Geralmente são os que dão um pouco de pinta, porque sabem que as pessoas percebem sem que isso tenha que ser assumido. E isso para mim é mais corajoso e político do que ser "questionável" e/ou "deduzível". Como eu.
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