E ainda tem gente que discorda quando digo que o BBB é um maravilhoso programa de antropologia...
Nesta terça, tivemos o primeiro paredão dessa décima edição (inesquecível pela criação da primeira EX-EX-BBB da história, que ainda pagou mico perguntando ao Bial quem era sua BBB preferida, só para escutar o nome da diva Priscila ao vivo para todo o Brasil... ai Jose!). Como de praxe, no início do programa tivemos um compacto com os momentos que levaram à formação do paredão e daquela semana na casa, com alguns enfoques especiais.
Um deles, ao som de Lady Gaga, foi sobre os participantes assumidamente gays e as reações provocados por eles nos outros. Foi exibido o desentendimento entre Dicésar e Marcelo Dourado, que fez Dimmy chamar Dourado de homofóbico. É ruim partir para esse termo, pois parece aquela mania de perseguição da minoria, onde qualquer coisa vira homofobia. Aí o Dourado, em meio a seus arrotos, se queixou de que os gays podiam fazer piadinhas, e ele não.
Em meio à preocupação do governo com a homofobia na casa, surgiu um babado quando o advogado Alex, que se diz hétero, graças à Deus, foi apontado por André Fischer como enrustido. O rapaz repetiu o "agradecimento" durante o programa de terça, e Marcelo Dourado, ainda tentando o clima de "não tenho preconceitos", gritou: orgulho hétero!
A questão é espinhosa, por que bate na liberdade de expressão, que é um direito de todos e deve ser respeitada. Só que há também os direitos humanos, e seria interessante que existisse penalização contra a homofobia, para que vissemos como ficariam as afirmações.
No programa, tudo está sendo levado em tom de brincadeira, até por que ninguém quer se indispor, e não há motivo para hipersensibilidade... mas tudo deve ser ponderado. Eu várias vezes uso palavras como viado, bicha ou boiola para se referir a mim ou as meus amigos, especialmente quando estamos juntos e em momento de descontração. Tenho amigos negros, amigos gordos, amigos magros, amigos crentes... e nem por isso a gente fica usando termos politicamente corretos como afro-descendente, obeso ou evangélico. Mas isso é entre nós, né? Não quer dizer que alguém na rua tenha o direito de nos apontar um dedo e gritar VIADO, como se fosse uma ofensa. Se ser viado é ser homem que transa com homem, eu sou viado mesmo, mas um heterossexual não pode me dizer(ou escrever num boteco) essa palavra(ou um sinônimo) como xingamento.
Aí, mesmo sendo contra perseguições, fica difícil engolir alguém gritando ORGULHO HÉTERO em rede nacional. É querer comparar o incomparável. Se existe orgulho negro, feminismo e orgulho gay, é por que o sistema que é dominado pelo macho heterossexual branco usa tais características como motivo de vergonha. É em oposição a essa vergonha que gritamos ORGULHO.
O problema, não é uma cultura heterossexual, e sim uma cultura heteronormativa.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Pura Utopia...
Então, para tentar concluir o grande e obsessivo arco sobre "identidade-invisibilidade-novela das oito", resolvi comentar sobre o nosso primeiro comentário "externo".
Homem Inteligente Viril disse:
"O simples fato de existir esse blog, já é a necessidade do gay (no caso vocês) de não estarem na INvisibilidade, o gay de hoje, pelo menos a maioria não está atrás de invisibilidade, quer aparecer, mostrar a cara, mostrar que é diferente, escrever um blog ... Um hetero não teria o que escrever, se quisesse escrever sobre sua heterossexualidade ... Ele tem a genuina INvisibilidade."
Achei engraçado por que eu pretendia falar sobre isso quando "A FAVORITA" finalmente acabar, para fechar logo esses assuntos. Eu sou um obsessivo assumido, apaixonando-me perdidamente por certos assuntos, e aí fica difícil não ficar repetitivo... Como os questionamentos midiáticos do LD casaram com isso num diálogo, essas nossas primeiras duas semanas giraram sobre esses tópicos, e agora é a hora de partir para o que realmente importa: o BBB!
Mas enfim, quem conseguiu entender os meus clamores nos posts sobre o assunto, viu que o que eu acho curioso e também injusto é a rotulação baseada em sexualidade. Na minha utopia, há a INvisibilidade sexual para todos, pois ser gay ou hétero é algo tão involuntário quanto ser bonito ou feio, carioca ou paulista...
Se não existisse "o gay" como selo de identificação, esse blog não existiria (tá, eu podia dividir um blog com um amigo sobre algum outro assunto... mas vocês entenderam), e não existiria a "cultura gay".
Mas a questão é que existe, não importa o quanto eu queira lutar contra isso. Discordando do meu parceiro, eu acredito que a simples existência da parada gay, ainda que fosse uma orgia ao ar livre sem sentido, já é política. Já traz a visibilidade que a "comunidade" sempre buscou como forma de representação política.
Criaram um "dia do orgulho hétero", como forma de gozação do dia do orgulho gay. Não acho que ninguém deveria ter orgulho de ser uma coisa ou outra, mas discordo do nosso comentarista sobre a impossibilidade de um blog de "cultura hétero". Sempre que nos debruçamos sobre um nicho, por maior que seja, aparecem questões próprias.
Existem blogs gays, blogs feministas, blogs sobre futebol, blogs de religião... só não existem blogs sobre heterossexualidade (e deve existir algum, nem me dei ao trabalho de procurar) por que a maioria dos heterossexuais não é obrigada a se identificar como tal.
No caso do homem, a masculinidade é uma coisa constituída a partir de valores culturais. É preciso ser homem, e um dia falo disso com calma. Mas ainda assim, nenhum homem precisa dizer que é hétero. Só que se ele se "desvia" da conduta masculina, acaba sendo identificado involuntarimente como "gay".
Pode ser que eu, o LD e os outros gays do mundo tenhamos o desejo de nos expor. No meu caso, acho que um desejo de mostrar o meu valor apesar dessa "falha", o que é um loucura construída pela minha criação, tabus e vitimização. Mas não posso falar pelos outros. O caso é que falar é só uma opção. Nós já fomos expostos. Já somos visíveis.
Sobre a novela, apesar das declarações, para mim não está explícito que a Flora seja apaixonada pela Donatela. "Eu te amo" é uma coisa, e ela ter amor, paixão e desejo carnal por ela é outra. Caso se comprovasse a hipótese lésbica, seria um passo adiante rumo ao meu ideal. Teríamos um homossexual cuja sexualidade não foi seu estandarte, e que foi significativo na trama sem debater os "assuntos gays".
Ainda assim, essa opção só seria possível pela revelação tardia, já que o público talvez não suportasse uma relação gay como tema central de uma trama, e talvez os grupos de militância gay não permitissem que uma vilã tão doida fosse assim por esse motivo... Ainda há muito o que caminhar, e muitas vezes eu acho que não passa mesmo de utopia. É impossível agradar a todos, então nunca teremos uma novela que fale da homossexualidade agradando a gays e donas de casa católicas.
Resta esperar que a NOSSA invisibilidade um dia venha. E quem sabe então esse blog não passa a ser só sobre opiniões...
Homem Inteligente Viril disse:
"O simples fato de existir esse blog, já é a necessidade do gay (no caso vocês) de não estarem na INvisibilidade, o gay de hoje, pelo menos a maioria não está atrás de invisibilidade, quer aparecer, mostrar a cara, mostrar que é diferente, escrever um blog ... Um hetero não teria o que escrever, se quisesse escrever sobre sua heterossexualidade ... Ele tem a genuina INvisibilidade."
Achei engraçado por que eu pretendia falar sobre isso quando "A FAVORITA" finalmente acabar, para fechar logo esses assuntos. Eu sou um obsessivo assumido, apaixonando-me perdidamente por certos assuntos, e aí fica difícil não ficar repetitivo... Como os questionamentos midiáticos do LD casaram com isso num diálogo, essas nossas primeiras duas semanas giraram sobre esses tópicos, e agora é a hora de partir para o que realmente importa: o BBB!
Mas enfim, quem conseguiu entender os meus clamores nos posts sobre o assunto, viu que o que eu acho curioso e também injusto é a rotulação baseada em sexualidade. Na minha utopia, há a INvisibilidade sexual para todos, pois ser gay ou hétero é algo tão involuntário quanto ser bonito ou feio, carioca ou paulista...
Se não existisse "o gay" como selo de identificação, esse blog não existiria (tá, eu podia dividir um blog com um amigo sobre algum outro assunto... mas vocês entenderam), e não existiria a "cultura gay".
Mas a questão é que existe, não importa o quanto eu queira lutar contra isso. Discordando do meu parceiro, eu acredito que a simples existência da parada gay, ainda que fosse uma orgia ao ar livre sem sentido, já é política. Já traz a visibilidade que a "comunidade" sempre buscou como forma de representação política.
Criaram um "dia do orgulho hétero", como forma de gozação do dia do orgulho gay. Não acho que ninguém deveria ter orgulho de ser uma coisa ou outra, mas discordo do nosso comentarista sobre a impossibilidade de um blog de "cultura hétero". Sempre que nos debruçamos sobre um nicho, por maior que seja, aparecem questões próprias.
Existem blogs gays, blogs feministas, blogs sobre futebol, blogs de religião... só não existem blogs sobre heterossexualidade (e deve existir algum, nem me dei ao trabalho de procurar) por que a maioria dos heterossexuais não é obrigada a se identificar como tal.
No caso do homem, a masculinidade é uma coisa constituída a partir de valores culturais. É preciso ser homem, e um dia falo disso com calma. Mas ainda assim, nenhum homem precisa dizer que é hétero. Só que se ele se "desvia" da conduta masculina, acaba sendo identificado involuntarimente como "gay".
Pode ser que eu, o LD e os outros gays do mundo tenhamos o desejo de nos expor. No meu caso, acho que um desejo de mostrar o meu valor apesar dessa "falha", o que é um loucura construída pela minha criação, tabus e vitimização. Mas não posso falar pelos outros. O caso é que falar é só uma opção. Nós já fomos expostos. Já somos visíveis.
Sobre a novela, apesar das declarações, para mim não está explícito que a Flora seja apaixonada pela Donatela. "Eu te amo" é uma coisa, e ela ter amor, paixão e desejo carnal por ela é outra. Caso se comprovasse a hipótese lésbica, seria um passo adiante rumo ao meu ideal. Teríamos um homossexual cuja sexualidade não foi seu estandarte, e que foi significativo na trama sem debater os "assuntos gays".
Ainda assim, essa opção só seria possível pela revelação tardia, já que o público talvez não suportasse uma relação gay como tema central de uma trama, e talvez os grupos de militância gay não permitissem que uma vilã tão doida fosse assim por esse motivo... Ainda há muito o que caminhar, e muitas vezes eu acho que não passa mesmo de utopia. É impossível agradar a todos, então nunca teremos uma novela que fale da homossexualidade agradando a gays e donas de casa católicas.
Resta esperar que a NOSSA invisibilidade um dia venha. E quem sabe então esse blog não passa a ser só sobre opiniões...
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