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terça-feira, 14 de julho de 2009

Som e Fúria e o Ridicularidade da Homofobia

Em momento nenhum eu quero fazer apologia a "pirataria" de produtos autorais pela internet. Mas achamos que quando tais produtos encontram-se indisponivéis por só serem transmitidos em outros países (animes japoneses por exemplo) ou o horário em que ele passa na TV é incompatível com a sua rotina não pode-se esperar que as pessoas se privem de um conteúdo que lhes interessa.

Gostaria de falar sobre "Som e Fúria" a nova minissérie da Globo. Muita gente cai em cima das mídias de massa. Acusam de não produzir nada culturamente superior. A gente aqui do blog não tem problema com bad TV. Na verdade a gente ama isso. Mas também gostamos de coisas mais... complexas.

Não estou em condição de falar se essa série é boa ou não porque ainda não vi nada direito e ela ainda nem terminou mas desde pelo pouco que tive acesso do primeiro capítulo já posso falar que ela merece algum destaque porque ela, no primeiro capítulo, ridiculariza a homofobia do mesmo jeito que eles ridicularizaram por anos a comunidade LGBT, através do estereótipo.

Eu não acho que estereotipar as pessoas é uma coisa legal, mas dar um pouco do próprio veneno a quem nos olha por cima é MUITO bom.



Começa a ver a partir de 6:50. Mas pelo que pude ver desse primeiro episódio vale a pena ver.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Publicidade Gay - Abordagem Estereotipada

Embora só recentemente alguns comerciais que retratam personagens homossexuais tenham despertado a atenção do grande público por representações de homoafetividade serem consideradas inadequadas para os meios de comunicação de massa, todos sabemos que não é de hoje que personagens gays aparecem em comerciais sem grandes objeções do público desde que tais personagens fossem representados de maneira estereotipada, geralmente com abordagem cômica ou depreciativa .

Abordagem estereotipada
Ao falar sobre os diferentes usos do estereótipo durante o período de ditadura política no Brasil a analista de discurso Eni Orlandi4 diz que "o efeito de sentid que trabalha a relação com o estereótipo e a deque so nle é que somos falados pelo 'consenso', pela 'solidificação', pela 'sedimentação', pela 'fixação' do discurso". Orlandi fala de como os movimentos de resistência contra a ditatura militar usaram os estereótipos como "pontos de fuga de sentidos", mas esse não é bem o caso de um comercial da rádio belga Donna onde um pensativo rapaz se levanta da mesa de jantar, se dirige aos pais e começa a cantar "queridos pai e mãe/pode ser difícil/ mas, vocês precisam respeitara minha escolha.../estou tomado de alegria/.../o cheiro couro me excita/ calças apertadas fazem eu me sentir bem" enquano dança acompanhado de dois dançarinos musculosos de roupas apertadas que fazem insinuações sexuais enquanto cantam o refrão "tudo bem, ele é apenas gay".5

Embora esse comercial faça uso de estereótipos homossexuais como gosto por roupas de couro e/ou apertadas e músicas dançantes e possa ser interpretado como um uso de estereótipo em situação de censura como define Orlandi que era quando o estereótipo foi usado para falaro que era proibido dizer criando a possibilidade de usar os sedimentados estereótipos para "deslocar os sentidos possíveis" e trazer "diferentes efeitos de sentido". Talvez tenha até sido essa a solução que a agência publiciária encontrou para abordar o tema sem criar caso com os mais conservadores. Porém o discurso que sobressai aos outros possíveis é a comicidade da situação onde um filho sai do armário para os pais cantando e dançando e não a de que não há problema em ser gay. Vestergaard e Schøder6 dizem "a nosso ver, os processos semânticos da redução dos problemas e a imposiça de uma normalidade de comportamento são os mecanismos de maior conteúdo ideológico da propaganda". Os autore também dizem que "a ideologia pertence ao domínio do senso comum e, por sua vez, o conceito de senso comum nos permite alcançar a essênia da ideologia cmo aquilo que é ao mesmo tempo visível para todos e invisível por seu caráter óbvio". Michael Pêcheux7 reafirma o pensamento dos autores ao dizer que "é a ideologia que, através do 'hábito' e do 'uso',´está designando, ao mesmo tempo, o que é e o que deve ser".

Portanto o uso de um enunciado socialmente difundido, do estereótipo como é o caso desse exempl contrbui para a re-afirmação dos valores que a sociedade atribui aos homossexuais fixados no senso comum. Valores que vêm um homem gay afeminado como algo digno de riso e escárnio, como acontece no comercial da Doritos previamente mencionado.

4. ORLANDI, Eni Puccinelli. As Formas do Silêncio - No movimento dos Sentidos.

5. VESTEGAARD, Torben, SCHRØDER, Kim. A Linguagem da Publicidade.

7. PÊCHEUX, Michael. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Orlandinho, o Gay-Fiasco da vez

Identificação cultural é algo muito engraçado. Acho que foram os detalhes que me diferenciavam quando criança que acabaram se tornando os pontos de afinidade que procurei em meus amigos.

Um exemplo (besta) foi o fato de eu gostar de jogar com a Chun-Li (a lutadora azul na imagem acima) no jogo Street Fighter. Como ela era a única lutadora, no primeiro jogo, os meninos aqui do prédio a achavam a mais fraca enquanto eu achava a mais legal. Depois veio outra lutadora que eu acho ainda mais legal... Por um bom tempo essa minha preferência pelas lutadorAs me fez diferente dos meus amigos e vizinhos. Isso e o fato de eu ser o único a parecer pensar que o Ryu era, digamos... interessante.

Posteriormente, quando comecei a fazer meus amigos gays - já que o fato de sê-lo não foi visto por bons olhos pelos meus, então, amigos e vizinhos - percebi que muitos deles também gostavam de jogar com a Chun-Li. Parece bobo, mas não se sentir tão diferente pode ser bem legal.

Como a Chun-Li, existem outros ícones gays. E me desculpem o arco-íris, a Judy, ou o Tom of Finland, mas quem foi ao show da Madonna sabe o que eu to dizendo. Haviam héteros, claro. Mas a pluralidade de gays que estavam no show era impressionante. Todo mundo conhece o arco-íris mas nem muitos estão dispostos a pagar algo pra tê-lo perto de si; Infelizmente a maioria nem conhece a Judy Garland; os desenhos do Tom todo mundo que já procurou pornografia gay na internet já viu mesmo não conhecendo o autor, mas a Maddy - sendo o ícone POP que é - movimenta multidões e milhões.

Mas não é disso que eu quero falar. Não sei se todos assistem TV aberta, mas quem assiste a novela A Favorita já deve ter tido o desprazer de conhecer o gay-fiasco da vez. O Orlandinho. Quem viu a novela desde o ínicio sabe que ele teve a chance de ser um personagem gay interessante. Ele não demonstrava nenhum interesse pela iconografia gay até se "auto-denominar" um. Depois disso ele se esforçou em gostar de fashion weeks e balett, acreditando que isso o tornaria um gay legítimo. Como se existisse tal coisa. Eu ainda não conheci alguém que se encaixasse totalmente nos estereótipos explorados pela mídia.

O que quero dizer é que o autor João Emanuel Carneiro ao tentar fazer algo "moderno" como, talvez, a bissexualidade, perdeu uma chance primorosa de dizer que nem todo homem gay gosta de Madonna e divas pop. Alguns gostam de MPB, futebol, política, pagode, micareta, religião ou simplemente não tem nenhuma obsessão específica. O Carneiro desfez toda a pouca conquista de outros gays-fiasco, abrindo margem até à possível interpretação de que gays são na verdade pessoas confusas que ainda não encontraram um pessoa do sexo oposto sexualmente experiente (que nem foi o caso da "prostituta" Céu) capaz de dissipar as dúvidas e torná-los homemns héteros de respeito e pais-de-família.

Como a novela ainda não acabou eu ainda não estou com meu julgamento fechado sobre o assunto, mas acho difícil aparecer um homem que tasque um beijo no Orlandinho e o faça acordar desse sonho de dona-de-casa conservadora. É, conheço o caso de algumas mães dizerem pra seus filhos gays que irão contratar uma profissional do sexo para curá-los.

Agora faz favor, né? Carneiro, ACORDA, olha pro lado que na Globo tem muita gente pra você fazer laboratório antes de escrever tal sandice.