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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Twitadas desastradas e Tele-realidade

Orkut, Facebook, Twitter. Eu tenho um conta em todas as ferramentas socias, mas me mantenho fiel mesmo ao Orkut, por que a preguiça de mudar alguma coisa é um ENORME defeito meu.

O Twitter, para mim, ainda não "pegou". Eu não consegui configurar o perfil para acessá-lo do celular (nem sei se conseguiria isso com o meu celular pobre...), e se é para entrar na internet, fazer login e escrever alguma coisa, melhor fazer por aqui, né?

Mas o caso interessante do Twitter é que realmente deu certo para os famosos, que agora estão muito mais acessíveis, em perfis assumidamente verdadeiros.

E hoje, não se fala de outra coisa nos sites de fofoca além dos problemas da rainha Xuxa com a nova ferramenta. Para explicar tudo melhor, leiam a coluna do Mauricio Stycer, aqui, e para rir da situação, leiam os comentários do "Te dou um dado?".

Há várias questões nessa história toda. Eu, particularmente, gosto da Xuxa, como já disse aqui, mas entendo os ataques. Outro post do "TDUD?" que me matou de rir foi sobre os comentários do Danilo Gentili sobre a coisa, mas na minha opinião, ele mais uma vez pesou a mão.

Como apontado na coluna do Stycer, o acesso às celebridades realiza o sonho de conversar com a TV, e como comentado lá, temos aquela confirmação do óbvio, de que as celebridades são pessoas como nós, com seus erros e acertos.

Sabemos que Xuxa vive num mundo particular (e rosa), e se eu tivesse a fortuna dela (only a matter of time, my dears...), também o faria. Ser rico e famoso é o sonho de muita gente, então fica difícil mesmo deixar passar a chance de apontar os defeitos de alguém assim. Mas aí, como em tudo que envolve opiniões, entra a maldade.

Ainda ontem eu li uma crítica sobre a homenagem à Xuxa no festival de Gramado. É pertinente, pois uma premiação de cinema deve se preocupar mais com o conteúdo artístico das obras e dos intérpretes, mas é preciso lembrar que dentro do que se propõe, Xuxa é bastante eficiente.

Por trajetória e por opção, a ex-modelo trabalha com crianças, e atinge seu público-alvo em filmes que divertem e criam o hábito de ir ao cinema. Ninguém precisa dizer que ela é boa atriz, ou que seus filmes são de alto teor intelectual. Nem é a proposta.

Aí, ela derrapa no Twitter, e depois defende a filha. Claro, todo mundo riu. Eu ri. Mas ficar fazendo esse circo de opiniões, resenhas e afins (que resultou nessa daqui também), é demais. Talvez seja impossível que as coisas para ela sejam normais... é a sina das celebridades.

Não queria tomar partido, até por que não suporto erros ortográficos, e o Danilo Gentili fez piada com um outro post de Xuxa, sem falar nada dos tais erros. Mas como ele é sem graça, né? Eu não achei muita graça no filme "Brüno" justamente por causa desse tipo de humor babaca, maligno, que só sabe fazer rir através do achincalhe. Não vejo o CQC, mas não é a primeira vez que uma declaração do Gentili não é nada gentil. Isso me afeta talvez pela semelhança com a homofobia... vai saber...
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Ainda na coluna de Maurício Stycer, achei interessante a reflexão sobre a "imitação da Globo" feita pela RECORD com "A Fazenda", e como é o público quem deseja essa imitação.

Eu já tinha pensado sobre isso, analisando exclusivamente o BBB. É impressionante como o reality show, pela influência do público, só funciona quando "imita" uma novela. Se considerarmos o programa como um experimento, sabendo que o macro se reproduz no micro, temos um perfeito panorama da sociedade brasileira.

Tal é a penetração cultural das novelas (ou sua capacidade de refletir nossa cultura?), que qualquer reality show, qualquer CPI, qualquer eleição, vira novela. Temos mocinhos, vilões, reviravoltas... não são muito mais emocionantes (para quem assiste) os jogos em que o time ganha de virada, vencendo as adversidades e conquistando sua glória no finzinho?

A questão GLOBO/RECORD é muito mais sociológica do que simplesmente imitação de formatos. O problema é que entretenimento é um produto e é vendido, então tem que atender a demanda... E quem MANDA, é o público.
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Em tempo: "Cidade de Deus" foi eleito pelo IMDB como o terceiro melhor filme do milênio.
Listas de melhores e piores sempre são polêmicas, mas essa eu achei curiosa... fala sério, né? Eu gosto do Batman, mas não é para tanto. Nesse mesmo Top Ten há filmes com histórias muitos mais interessantes, como "Brilho eterno de uma mente sem lembrança" ou muito bonitos, como "O fabuloso destino de Amélie Poulain". Enfim, fica o orgulho nacional pela boa posição de "City of God". Com Batman e "O Senhor dos Anéis" na frente, para mim ficou em primeiro...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"The PINK knight" ou "Being FABULOUS in other media"

Um solteirão que vive com um garoto numa mansão e quase toda noite veste uma máscara de vinil preta.
Paraíso homossexual sadomasô ou um justiceiro incompreendido? Batman é gay? Leiam sobre isso em meu primeiro artigo oficial no site Ambrosia, sobre entretenimento.

Este artigo é o primeiro a oficializar minha participação no site (onde nem tudo será sobre homossexualidade), mas o marco zero, ainda como colaborador, foi uma retrospectiva dos 50 anos da deusa que guia a minha existência...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

All dolled up...

Nessa semana um amigo me mandou este link, que me deu muito o que pensar.

Caso alguém morra de preguiça de ler, é o relato de uma mãe que teve que pensar no que fazer quando o filho de sete anos pediu uma boneca. Para mim, o interessante foi ela ter se visto forçada a confrontar as próprias opiniões, já que é muito fácil ser "descolado" quando a questão não é com o seu filho. Para mim, o final foi feliz, já que ela bancou suas próprias opiniões e deu a boneca, deixando o menino que ama feliz.

Eu me lembrei da minha infância, e da minha verdadeira loucura por bonecas. O LD falou da Chun-li no seu último post, e de como ela representa um identificador para nós, mas acho que dá para incluir aí a figura da boneca. Especificamente, temos a Barbie, mas a questão é que carrinho e bolas são para meninos, e bonecas, sejam quais forem, de meninas.

Quando eu era criança, queria por que queria uma Barbie. Eu gostava muito dos meus bonequinhos do He-Man, mas eu queria uma Barbie e pronto. A minha mãe, embora seja maravilhosa, não era tão modernosa nos anos 80, então eu só consegui ganhar uma quando já era quase adolescente.

Ela me comprou um livro chamado "Menino Brinca de Boneca?" e eu adorei, pois o livro não mostrava isso como uma coisa terrível. Aí ela disse que "o livro não era o que ela esperava", e acho que foi aí que eu comecei a pensar por mim mesmo.

Claro que quando eu era criança eu não sabia que era gay. Sabia que era diferente, mas isso por que os outros me diziam isso. Mas naquele momento, eu vi que a minha mãe não era uma super-heroína e que os adultos não sabiam de tudo. Vi que ela estava buscando ajuda, e que tinha sido boba o suficiente para me dar um livro sem lê-lo. Achei ótimo, pois o livro tinha uma mensagem tolerante, então ela acabou me educando melhor, mas não era o que ela queria... e essa distração me fez ter mais autonomia.

Hoje, ela e todo mundo sabem que eu sou viado. Talvez eu não escolhesse ser assim, mas tem muitas vezes em que eu acho que escolheria sim. Mas não acho que foi por causa de um brinquedo, né?

Talvez eu nunca me interessasse por bonecas se já não fosse me tornar homossexual, mas essa atribuição insana de valores às coisas é ridícula. Acho que brincar de boneca tem um enorme apelo para qualquer criança... no caso da Barbie mesmo, era muito legal reproduzir a vida, com carros, casas. Na época ela não era tão fantasiosa quanto agora, que tem muitas fadas e princesas... a fantasia ficava nos brinquedos da Disney e nos de meninos, já que o He-Man era um bárbaro tecnológico de outro planeta.

Me lembro também de uma cena que testemunhei numa loja de departamentos, quando lançaram aqueles bonequinhos dos Power Rangers. Bonecos de menino, e eu escutei um pai dizendo que não ia comprar os cinco bonecos para os filho por que dois eram mulheres. Como assim? Não dá para ficar tirando onda de Freud, mas talvez seja exatamente o tipo de experiência traumática que faria o menino entrar em choque com a sexualidade dele. É muito brutal esperar que uma criança, que só quer brincar, absorva preconceitos sociais.

Enfim, fiquei comovido com a história dessa mãe. Espero que todas as crianças possam, um dia, ter uma infância assim. Livre de preconceitos. No fim das contas, todo mundo se torna o que tiver que se tornar, então o legal é ser feliz. Sempre.