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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Muito trabalho e filmes...


Pois é pessoal, depois de um Agosto ativo, passamos setembro parando e outubro congelados, mas como disse o L.D, estamos de volta! Minhas desculpas são o trabalho puxado, crises na faculdade e uma maratona louca para ver o máximo de filmes do festival do Rio possíveis. É triste, mas acabei dando mais atenção ao Ambrosia, e você podem ler minhas resenhas completas sobre os filmes que vi lá.

Comecei o Festival vendo o maravilhoso "Eu Matei Minha Mãe", que eu nem sabia que tinha um personagem gay, já que não fazia parte da mostra específica... para mim pelo menos, não teve como não me identificar com a história de amor e desentendimento de Hubert e sua mãe...

Segui com "Fúria", sobre políticos americanos enrustidos, e adorei ver o Ney Matogrosso em "Depois de Tudo".

Me emocionei bastante com a ópera documentário "Arvores com Figos", que fala da AIDS com tanta leveza. Um grande acerto na mostra foi "An englishman in New York", sobre o delicioso Quentin Crisp, e "Ander" foi uma ótima surpresa. As decepções foram "Boy", que é bem chatinho, e "Humpday", que não é tão engraçado ou ousado quanto prometia...

Na premiére Brasil, gostei muito de "Sonhos Roubados", e meio que por acidente assisti um tocante documentário sobre o domínio do Tibete pela China (evidentemente, fora da premiére Brasil...), "Fogo sob a Neve".

Sem dúvida, uma das grande alegrias foi ver o hilário "Matadores de Vampiras Lésbicas", e os outros filmes que vi podem ser conferidos na lista do Ambrosia. O caso é que aproveitei bem o festival de cinema, podendo gritar a plenos pulmões que "cinema é a maior diversão", sem medo de "chover no molhado".

Pra semana eu comento o Nobel do Obama, a marcha nacional pela igualdade nos EUA, casos curiosos, e a violência na cidade sede das olimpíadas 2016. Fazer o que, né? Tanto tempo sem postar, vamos ter que correr atrás...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

National Pride

Olhem que interessante a coluna de ontem do Mauricio Stycer.

Taí uma coisa na qual eu sempre pensei. Não por ser anti-nacionalista não, mas sim por que esse tipo de comportamento é ridículo.

Me marcaram três momentos. O primeiro no show da Madonna de 1993, quando ela vestiu uma camisa do Flamengo, para delírio da multidão, enquanto tentava falar meia dúzia de palavrões em português. Legal, todos os artistas decoram algumas palavras para mostar simpatia mas e daí? Escutar a nossa língua sair da boca da Madonna faz com que ela soe melhor em que? Isso se repetiu no show dela no ano passado, com a camisa da seleção. Grandes coisas.

Outro momento interessante foi no show da Briney Spears, no Rock in Rio de 2001, quando a bandeira americana foi vaiada e vários comentaram que ela deveria ter exibido uma bandeira do Brasil. Pergunto: WHY? Britney Spears por acaso é brasileira?

Tenho certeza que nenhuma das pessoas que vêem shows internacionais como palco para nacionalismo topariam abraçar a bandeira dos EUA num show em Nova York, de onde se conclui que a homenagem só pode ser feita ao Brasil, e nunca retribuida...

Eu, héin!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Was about fucking time!

Nunca usarei este ou qualquer outro espaço para promover a violência. Sim, sou humano, e mesmo como "gay modernoso", tenho minhas intolerâncias, sinto raiva, me vingo, e sou capaz de muita coisa. Mas em linhas gerais, não apóio a violência.

É lógico que mais cedo ou mais tarde os homossexuais reagiriam à violência a que somos expostos todos os dias de forma violenta. O próprio levante de Stonewall começou assim, com uma reação violenta à opressão.

Mas em Pittsburg, Filadélfia, um grupo denominado "BASH BACK" prega que se dê o troco no Estado opressor e heteronormativo. Não, não é um episódio da quarta temporada de "Queer as Folk"...

O grupo diz lutar pela liberação, se colocando contra a opressão do Estado e qualquer forma de governo. Admite e valida a luta GLBT, mas considera o desejo por instituições como o casamento mero simulacro da heterossexualidade, reproduzindo as normas de uma forma de poder heterossexual.
Eles são contrários ao que chamam de "Sistema binário de gênero", que classifica as pessoas em macho e fêmea. A maioria dos membros não se classifica assim, ou diz ser os dois. Anti-sistema, anti-militarismo e anti-casamento para qualquer um, o que eles apóiam é a auto-determinação do gênero, muito sexo e pornografia, e o confronto como primeira resposta à violência.

"Não estamos tentando mudar a cabeça das pessoas; nem tentamos forçar heterossexuais a nos dar liberdade. Estamos revidando," diz Tristyn Trailer-Trash, membro do grupo. "Vamos parar com a pregação de ódio, parar com a criação de um ambiente pouco amistoso para pessoas gays e trans. Não vamos ser bonzinhos com isso - eles não têm sido!"

Apesar do discurso, a violência do grupo é mais psicológica, com protestos, passeatas, beijaços e vandalizações em igrejas evangélicas, eventos políticos anti-gay e coisas do tipo.

Será esse o único caminho para conquistarmos nossos direitos? Revoltas e protestos já funcionaram para outros grupos, então é um caso a se pensar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Clipping

Bom, todos já devem ter notado que o ritmo por aqui mudou. Em agosto atingimos nosso recorde de postagens, por que me deu a louca, estava vagabundeando e desceu um espírito jornalista que me convenceu de que não teria problema em postar de maneira mais regular. A proposta anterior, de deixar um post e esperar o povo refletir não tinha como acompanhar as notícias...
Bom, tudo pode mudar agora que eu trabalho e estou sempre morrendo de sono e tentando fazer a noite durar, ou uma nova onde de preguiça pode me acometer. Mas aí, conto com meus amigos LD e Literatum para dar um gás também... anyway, o post de hoje, ao invés de falar de uma coisa só, é um clipping de coisas que me chamaram a atenção aqui e no resto da internet...
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Priscilla Pires, diva eterna, barrou Ana (e Naiá) MAIS UMA VEZ! É impressionante como Pri é uma fonte inesgotável de alegria para mim... e mais impressionante é a burrice da Aná, né? Se colocar na mesma posição de novo? Claro, ela está se promovendo com isso, mas ainda assim...
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Não vou ficar colocando a mão no fogo pelo Obama, embora saiba que mesmo alguém com a melhor das intenções tem que capitular quando chega ao poder. Mas é ridículo ele ter que defender a reforma do sistema de saúde americano, como se facilitar o acesso à saúde fosse um erro...
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O site ACAPA fez uma resenha do livro "Terapia Afirmativa", de Klécius Borges, já indicado aqui no "P-Files".
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Também no ACAPA, o resultado (não surpreendente) de uma pesquisa americana que concluiu que 48% da população Gay e Lésbica faz terapia, por causa da homofobia.
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A (agora única) rainha do Pop, que encontrou Jesus no Brasil em Setembro finalmente foi flagrada aos beijos com ele:

Tá durando, né? Eu acho legal.
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Sobre outra rainha, fiquei feliz em ver a Xuxa e o Luciano Szafir assumindo a relação na CARAS. Sem medo de soar cafona e mostrar meu lado "pão com ovo" (até por que, ele não existe...), eu que cresci vendo a Xuxa gosto muito dela. Sou bem romântico (apesar de toda a luxúria e devassidão), então acho ótimo que depois de tanto anos eles estejam juntos e felizes... fora que essa carinha de Superman... ai,ai:

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Duas notícias do MIX: A procuradoria geral da república enviou um parecer favorável ao Supremo Tribunal, apoiando uniões civis fora do contexto homem-mulher (vamos torcer!).
E o Ministério da Saúde criou cartões virtuais (que podem ser enviados anonimamente) para ajudar as pessoas a avisarem seus parceiros sobre suas DSTs. Ok, deve ajudar... mas é complicado, né? Vai ter muito trote, sem contar que é uma coisa bem estranha... tipo "maravilhas da tecnologia". Posso entrar dentro de você, mas não tenho cara de ter uma conversa franca sobre uma questão séria. Eu entendo, mas é estranho como as coisas hoje são fáceis...
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Senhor Viril, não faço joguinhos. Simplesmente, acho mais justo que o senhor analise as opções, se for realmente fazer algum teste do sofá para entrar no blog (o que não significa que vá admitir ser preterido!).
E sobre o Literatum... ele está mais perto, né?
Anônimo, eu mesmo me preocupo com o conteúdo do blog, por que o idealizei como um espaço de cultura, mas nada impede que haja alguma diversão... vamos fazer um chat de pegação? Por que esse anonimato? Como você? Onde você mora? O que curte? Afim de tc? (diz ao menos a sua cidade e a primeira letra do nome, Vaaaiiiiii...)
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Agora, só um comentário, que não tem nada a ver com internet, e nem com o post "Adequações" do dia 29 de Julho: a minha academia está com tanto homem bonito que está difícil de eu me concentrar e malhar. Não bastasse a preguiça, agora isso!
Nesta terça a personagem da Arlete Salles em "Toma Lá, dá cá" disse que "mulher pensa muito em sexo, homem muito mais, e gay mais ainda" (ou coisa assim, copiada da primeira frase de "Queer as Folk"). Não vou concordar totalmente, mas com homens bonitos e suados ao meu redor, fica difícil...

Um pouco mais do mesmo e notícias mais leves...

Falando um pouco mais sobre essa eterna discussão entre homossexuais e religiosos, o MIX falou da capa da revista evangélica ECLÉSIA, que fala em "mordaça gay".

A matéria da revista fala inclusive da psicológa Rozangela Justino, que afirma ter "curado" gays (falo dela em breve...).

Mas enfim, o que acho interessante é a tal "mordaça gay". Legal discutir a liberdade de expressão e de orientação religiosa frente ao que é politicamente correto. O caso é que, como sempre insisto, o estado é (ou deveria ser) laico. Assim, não importa se Deus e o Papai Noel existem, mas sim quais são as necessidades dos cidadãos.

Acusam a lei de criminalização da homofobia de ser uma forma de censura, simplesmente por não desejarem reconhecer os anos de opressão e violência a que os homossexuais vem sendo expostos.

O Brasil, com toda a sua diversidade, ainda é um país MUITO racista, e temos uma lei para isso. Você pode pensar o que quiser de quem é negro, mas é contra-lei usar de violência física ou psicológica para expressar uma idéia que, fora do âmbito particular, fere a civilidade que é básica para a vida em sociedade.

E por isso que precisamos de uma lei que nos defenda. Até por que, se eu não posso discriminar uma pessoa por sua orientação religiosa, não há lógica em que ela possa me discriminar pela minha identidade sexual.

Affe!

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Gente, e o Stewie, de "Uma Família da Pesada", que é gay? Não é surpresa, mas o criador da série, Seth McFarlane, disse em recente entrevista à Playboy que chegou a escrever um episódio onde o bebê assumia sua condição, optando depois por deixar em aberto...

A decisão foi por que ele afinal só tem um ano, mas McFarlane disse que Stewie terminará sendo gay mesmo, ou um "heterossexual muito infeliz e reprimido", o que explicaria sua obsessão por matar a mãe e dominar o mundo. A tese é de que essa agressividade vem justamente da confusão e da incerteza sobre sua orientação, e quanto ao episódio que não foi ao ar, o assunto era o assédio sofrido por ele na escola. Stewie termina voltando no tempo para impedir que o "não deitarás com homem como se fosse mulher, é uma abominação" do Levítico fosse escrito (que inveja! Se bem que eu apagava essa droga desse livro todo...).
Em março, o show foi alvo de um grupo de pais preocupados por causa de um episódio que exibia uma orgia gay com 11 homens, Stewie comendo sêmen de cavalo e bestialidades. O "conselho de TV dos pais", que tem 1.3 milhões de membros, prestou uma queixa à comissão federal de comunicação dos EUA. McFarlane, que já tinha recebido reclamações do grupo antes, disse que foi como receber "cartas de ódio de Hitler".

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bravo! e a "estética homossexual".

A ótima revista "Bravo!" traz um interessante artigo sobre a "estética homossexual". Leiam, principalmente a parte dos comentários, onde a discussão ficou deliciosa...

Pessoalmente, acho que o ponto discutível é a não existência do homossexual. Sei que esse nome foi criado pela psicanálise a relativamente pouco tempo, mas a partir do momento que o termo foi aceito e usado para "catalogar" pessoas, ele foi legitimado.

Digo isso por que a homossexualidade como prática sempre existiu, mas a partis do momento que isso foi nomeado e características foram apontadas como sintomas, por mais preconceituoso que parece, criou-se a identidade homossexual.

Assim, é natural que guardadas as devidas proporções, tenhamos um comportamento homossexual (e não me refiro à pratica sexual) e algo que pode ser definido como a "estética homossexual".

Enfim, leiam o texto e comentem.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"The PINK knight" ou "Being FABULOUS in other media"

Um solteirão que vive com um garoto numa mansão e quase toda noite veste uma máscara de vinil preta.
Paraíso homossexual sadomasô ou um justiceiro incompreendido? Batman é gay? Leiam sobre isso em meu primeiro artigo oficial no site Ambrosia, sobre entretenimento.

Este artigo é o primeiro a oficializar minha participação no site (onde nem tudo será sobre homossexualidade), mas o marco zero, ainda como colaborador, foi uma retrospectiva dos 50 anos da deusa que guia a minha existência...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Eating Out, a primeira trilogia gay.

No dia 02 de Outubro, estréia em Los Angeles a terceira e derradeira parte da primeira "franquia gay" da história do cinema: EATING OUT 3:ALL YOU CAN EAT.
O primeiro e segundo filmes fizeram bastante sucesso (com o segundo revelando ao mundo a nudez maravilhosa de Marco Dapper), e o terceiro promete repetir a dose.
Com questões interessantes sobre a sexualidade e seus "limites" discutidas com muito humor, a trilogia termina fechando com chave de ouro, com um elenco de lindos assumidamente gays, o que é raríssimo...



Abaixo o trailer do primeiro filme:

Agora, do segundo:

E por fim, o teaser do terceiro:

Mal posso esperar para baixar e assistir (por que esses filmes não serão lançados aqui nunquinha...)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mais Diva, mais cultura, mais fabulousness!

Falando de outra das minhas divas, pela primeira vez no século eu comprarei uma Playboy:

Priscilla Pires inovou com o tema "princesa devassa", e pela primeira vez um ensaio da Playboy tem homens seminus.

O que me interessa nessa Playboy é que Priscilla conseguiu fotografar exatamente o que eu mais admiro nela: sua sexualidade.

Como disse na época do BBB, o grande lance da morena é falar abertamente sobre isso, contrariando anos e anos de opressão à mulher, especialmente num país machista como o nosso.

Aí, é claro, há o outro lado da moeda e a "objetificação da mulher", mas Pri já provou que é muito mais que um corpão voluptuoso e nesse ensaio, os objetos (de cena) são os homens. Até o (bem dotado) namorado dela participou das fotos, mas sem mostrar o rosto...

E abaixo, a foto dela para a capa da revista NOVA, num estilo mais classudo (apesar do decote e de levantar o vestido... haha!):

Melhor que isso, só ela ter barrado a xarope da Ana Carolina no lançamento da revista...
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Nessa semana teve um burburinho na mídia depois que Aguinaldo Silva disse em seu blog que Reynaldo Gianecchini faria um vilão gay na minissérie "Cinquentinha", que estréia no dia 02 de Outubro.

A informação foi negada pela Globo e pelo ator, que disse que a agenda cheia não permitiria que fizesse o trabalho (segundo o Te Dou Um Dado?, ele arregou mesmo).

O que quero ver é o tal personagem, não importando o ator (posso mandar currículo ou tem que ter 40 anos?). Finalmente ver um gay mau será um sonho para mim, se ele não terminar com uma mulher...
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Terminando em cultura, daqui a pouco começa a temporada cultural com os festivais de cinema e de teatro (e depois o ano acaba), e já deixo a dica de dois filmes interessantes.

O primeiro é o brasileiro "Elvis e Madona", que conta a história de amor entre uma lésbica e um travesti. Já tem minha simpatia por discutir os limites dessas "etiquetas sexuais" e mostrar como a sexualidade e o amor são amplos.


O outro, "Humpday", é uma comédia sobre dois amigos héteros que decidem lançar um filme pornô de uma transa entre os dois. Nada de questões afirmativas pró-homossexualidade, mas risos e elementos para se pensar sobre a aproximação entre os homens e seus amigos.

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Por fim, sem necessariamente indicar o filme ainda, vale uma lida nesta matéria sobre a polêmica em torno do novo filme de Sherlock Holmes, que ainda nesse terreno da amizade entre homens, explora a intimidade entre o detetive e o Sr. Watson de uma forma que incomodou algumas pessoas...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Terapia Afirmativa", de Klecius Borges

A dica do evento é para os leitores de São Paulo (temos algum?), mas a dica do livro é geral:

As Edições GLS e a Livraria da Vila – Lorena (SP) promovem no dia 5 de agosto (quarta-feira), das 19h às 22h, a noite de autógrafos do livro Terapia afirmativa – Uma introdução à psicologia e à psicologia dirigida a gays, lésbicas e bissexuais, do psicólogo Klecius Borges. No início do evento, haverá um bate-papo com o autor no auditório da livraria. A obra – pioneira no Brasil – trata da chamada terapia afirmativa, surgida como contraponto às visões tradicionais que consideram a homossexualidade uma forma patológica ou imatura de expressão afetiva/sexual. O evento acontece no piso térreo da livraria, que fica na Alameda Lorena, 1731 – São Paulo.

A abordagem psicológica conhecida como psicologia afirmativa, que foi criada a partir de um amplo conjunto de evidências biológicas, psicológicas e sociais, surgiu principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Essa abordagem considera a homofobia, e não a homossexualidade, a principal responsável pelos conflitos vivenciados por homossexuais.

De acordo com a visão afirmativa, a identidade homossexual é expressão natural, espontânea e positiva da sexualidade humana, em nada inferior à identidade heterossexual.Essa nova forma de abordar a homossexualidade, tanto do ponto de vista conceitual quanto do clínico, é tema do livro. Nele, Borges reúne informações e orientações que visam a combater o preconceito e a discriminação em um lugar em que a singularidade, a intimidade e as escolhas individuais devem ser abordadas com respeito ímpar: o consultório psicoterápico.

“Os terapeutas que adotam a abordagem afirmativa transmitem aos pacientes absoluto respeito por sua sexualidade, sua cultura e seu estilo de vida”, afirma o autor. A terapia afirmativa utiliza os métodos psicoterápicos tradicionais, mas parte de uma perspectiva diferente.

Pioneiro no Brasil, o livro fornece as bases para compreender a terapia afirmativa, intercalando elementos teóricos e dicas práticas. Além de apresentar os conceitos, os fundamentos e a base histórica dessa abordagem psicoterápica, o autor se dirige a gays, lésbicas e bissexuais que desejam se submeter à terapia, orientando-os na busca de um profissional adequado. Ao mesmo tempo, fornece aos terapeutas informações essenciais, descrevendo vários exemplos práticos da clínica homoafetiva e mostrando como se preparar para atender gays e lésbicas de forma afirmativa. “O livro preencherá uma lacuna importante, já que há pouquíssima informação sobre a psicologia homossexual e o trabalho psicoterapêutico dirigido ao publico gay”, esclarece Borges.

A obra é o resultado de oito anos de dedicação profissional. Nesse período, o psicólogo atendeu, em sua clínica, exclusivamente homossexuais e familiares destes e participou também de inúmeros grupos de discussão e de orientação no Brasil e nos Estados Unidos. “Acumulei um volume considerável de histórias pessoais e casos clínicos que me permitem falar com segurança sobre a experiência brasileira de uma psicologia especificamente voltada aos gays”, revela Borges.

Dividido em sete capítulos, o livro aborda minuciosamente um termo que ainda não é empregado nem reconhecido oficialmente no Brasil. “A abordagem afirmativa não é uma escola nem uma técnica, e sim uma atitude diante da homossexualidade”, explica o autor. A obra traz também extensa bibliografia e anexos com orientações e recomendações propostas por organismos internacionais de saúde mental.

O autor

Klecius Borges é psicólogo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participou de diversos cursos nos Estados Unidos e, nos últimos oito anos, vem se dedicando ao atendimento psicológico de gays e seus familiares, de acordo com a visão afirmativa. É autor do livro Desiguais (Fábrica de Leitura, 2008), colabora com diversos veículos de comunicação e promove palestras sobre homoafetividade em empresas e organizações.

O preço médio será de R$ 28,00, e vale a pena visitar o site da editora.

BRÜNO



Desde que os primeiros trailers de Brüno, o novo filme de Sacha Baron Cohen, apareceram na internet, grupos de militância gay no mundo inteiro embarcaram na polêmica humor x politicamente correto (recentemente discutida aqui no blog).

Assim como em Borat (tão 2006!), a idéia é usar situações extremamente constrangedoras justamente para denunciar os preconceitos e absurdos daqueles considerados normais. Se antes tínhamos um repórter do Cazaquistão que vomitava machismo e anti-semitismo, agora temos um afetado apresentador gay de Viena, com o sonho de se tornar "a celebridade mais famosa da Áustria depois de Hitler".

Em sua jornada, Brüno critica a fábrica de celebridades de Hollywood, o conteúdo de programas de TV e o mundinho fashion, enquanto as reações às suas cenas absurdas vão revelando como aceitar o diferente ainda é uma questão espinhosa.

A GLAAD (Gay and Lesbian Alliance Against Defamation), pediu que a Universal, distribuidora do filme, incluísse um aviso politicamente correto de tolerância, por considerar que o filme, embora tenha momentos engraçados, muitas vezes faz piada do comportamento homossexual. O aviso não foi colocado, e a nova polêmica é com o grupo terrorista Al Aqsa Martyrs Brigades, que ameaça tomar providências contra Cohen, por "conspirar para usar o nome do grupo" num filme de tal conteúdo.

O caso é que depois de Borat, ninguém deve esperar de Brüno um humor refinado, e é aí que expectador deve tomar partido.

Se gosta de sátira e de situações que beiram o escatológico, mas que até dão o que pensar, com certeza vale a ida ao cinema. Já se a onda é refletir sobre questões sérias, sem espaço para desconforto, talvez seja melhor esperar o lançamento em DVD.

Eu, que quase sempre acho a militância exagerada, fiquei mais interessado e ver as reações do público e das "vítimas" de Brüno do que em me sentir ultrajado pelo personagem.

B-Fab poderia ter feito download do filme como fazem os seus amigos, só para postar aqui uma crítica, contudo, preferiu esperar o convite para uma exibição exclusiva para a imprensa, permanecendo fiel a seu fabulous self!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Preconceito vs. o Politicamente Correto.

Texto da amiga e jornalista Tati Py, saído de seu maravilhoso blog, o Pyleque:

Eu não sou do tipo que levanta bandeiras no blog. Falo do que gosto e do que não gosto. São questões pessoais (às vezes, pessoais demais) e só.

Mas há algumas coisas que não dá pra deixar passar.

Li na Folha que o Ministério Público de São Paulo está analisando uma tuitada do Danilo Gentili, repórter do CQC. Conforme for, ele pode ser acusado do crime de racismo.

Eis a tuitada:

"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"

Evidentemente, rolou uma polêmica virtual e Danilo voltou a tuitar para se defender:

"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?"

Depois, continuou:

"Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês que têm preconceito."

Sorry, Danilo.
Foi totalmente preconceituoso. Não estou nem questionando o comportamento de certos profissionais da bola, mas quando tu compara um jogador a um macaco, tu não está falando do Tcheco, está?

Acho até que esse tipo de analogia não é consciente, e talz, mas é de um mau gosto tremendo. E alegar que pode chamar gay de veado e gordo de baleia não muda esse fato. Ao contrário, só piora. Isso é preconceito arraigado - e pra mim, esse é o do pior tipo.

É esse pensamento engraçadinho, de piadinhas que rolam à mesa nas macarronadas ou churrascadas de domingo, que rola de geração a geração. As crianças ouvem e acham engraçado quando o pai chama o colega de rolha de poço ou de elefante. No outro dia, chegam no colégio e atacam o primeiro colega com sobrepeso. A classe toda ri, e a cria pensa: "Pô, como eu sou legal".
Perpetua-se um padrão.

Não quero que o politicamente correto acabe com o humor, e nem acho que esse tipo de comportamento se apaga de uma hora para a outra, mas acho que já é piada velha e chatinha atribuir características animais à quem não tem a sua cor de pele, forma física ou opção sexual. Essa brincadeira tem uma mensagem subliminar: eu sou melhor do que você porque sou diferente de você. Sou superior!

Sem falar no fato de que é bem fácil gozar da cara dos outros - e não entender quando os outros reclamam - quando você não pertence a uma minoria que sofre discriminação.

O Danilo escreveu um post imenso no blog dele se justificando. Se vocês quiserem, deem uma olhada e me contem o que vocês acharam. Quero opiniões sinceras. Não precisa dourar a pílula para uma macaca-elafanta-girafa.

Ai, triste!

A propósito: dizemos de "raça negra" e não de "raça preta" porque raça não tem a ver com cor. Preto é cor. Nem todos os negros tem cor preta. Camila Pitanga é preta? Não.
Enfim, o conceito de raça é sobre características físicas ou ancestrais de um grupo.

Como comentei no blog da Tati, acho que o grande erro foi tentar consertar. Qual é o problema de pedir desculpas e admitir que errou? Aqui, frequentemente eu uso a palavra "VIADO", por que não tenho essas frescuras. Mas eu posso, né?

O que me irrita no post do Danilo é justamente se defender atacando o "politicamente correto". Acho um saco sermos politicamente corretos com tudo, mas não dá para usar uma opinião que procura um equilíbrio, e que é predominantemente de um elite intelectual, para justificar quando cometemos o que seria no mínimo uma gafe.

Isso, por que acredito que a tal "tuitada" tenha sido "inocente", já que preconceitos, estereótipos e padrões culturais existem e povoam nosso imaginário, fazendo com que muitas vezes pensemos em algo sem pensar em suas implicações.

Muitas vezes, especialmente na internet, uma informação sai de um jeito e é recebida de outro completamente diferente. Isso é natural. Assim, é possível que a história toda tenha começado pequena, mas com a emenda desastrosa, acabou confirmando o preconceito percebido por quem leu a primeira frase e se ofendeu. Aí, bola de neve, né? Ainda mais para uma pessoa pública, o buraco é muito mais embaixo e agora vai dar pano para manga, merecidamente.

Que sirva, pelo menos, de lição.

terça-feira, 21 de julho de 2009

São Paulo, um mês depois!!

Pois é galera, andei sumido por que estava na cidade vizinha, a megalópole São Paulo.

Um frio do cão, amigos com gripe A e um bairrismo saudável foram os únicos pontos discutíveis. De resto, foi tudo ótimo.

Como sempre, quem me levou à Paulicéia foi minha Diva-Mor, o ícone fashion de 50 anos e 29 centímetros, a Barbie. Nos dias 11 e 12 de Julho, tivemos a segunda convenção nacional de colecionadores da boneca, e eu até palestrei, descobrindo que pelo menos nesse mundo rosa eu já sou uma celebridade (tanta gente pedindo para tirar foto comigo, só faltou dar autógrafo).

Mas voltando à cidade, infelizmente não deu para eu ir na época da parada, mas ainda assim me senti numa cidade gay. É claro que não estava evitando lugares gays, mas enquanto pensava em Nova York comendo um brownie no Starbucks da Paulista, após um dia de compras na livraria cultura do Conjunto Nacional, vi um verdadeiro desfile dos mais variados tipos de homossexuais.

Casais de mão dada, fortões, menininhos emo, monetes fashion... todos desfilando com uma liberdade invejável, ainda que assegurada por um local gay-friendly.

Um rapaz disse para uma amiga minha que o Rio é o dia e que São Paulo é a noite, e nessa viagem isso foi tão apropriado... os dias frios e cinzentos só serviram mesmo para dormir, mas as noites agitadas da balada paulistana mais uma vez me seduziram. Voltei na "Lôca", por que não tem como passar pela cidade sem ir lá (ou sem comprar um boneco dos Cavaleiros do Zodíaco na 25 de Março!).

Mas a grande revelação foi a "GAMBIARRA". Uma festa produzida por atores, num hotel, com três pistas. Na minha opinião, os acertos já começam pelo espaço, por que eu não suporto boate pequena, e uma festa que toma conta do lobby de um hotel é PERFEITA! Lotação nas pistas? Com certeza, mas com vários lugares para onde se fugir e respirar um pouco. Só gente bonita e som da melhor qualidade. Em uma das pistas, MPB remixada e alguns trash, para divertir. Na outra, flashback total, e na terceira, pop da melhor qualidade. Gente hétero, gente bi, gente homo. Tudo em harmonia.

Atores (como eu) e estudantes de Arte (como o L.D) pagam meia e têm direito a uma fila especial e muito menor.

Com a deliciosa pizza da "Bela Paulista" e o maravilhoso hambúrguer da "Lanchonete da cidade", fica a dica para quem estiver em São Paulo por um breve período.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Feito Homem


Aproveitando o tempo vago, corri aqui pra postar porque o LD pretende ocupar o blog com análises de vídeos publicitários gays. E foi falando com ele sobre o seu colega reacionário que eu lembrei desse livro, pois ele me disse que durante as argumentações e contra-argumentações ele perguntou ao garoto o que faz do homem um homem. Algo que um homófobozinho não tem como responder, porque até ele sabe que o fato de ter uma namorada não quer dizer muita coisa.

Ao livro. Norah Vincent, uma jornalista norte-americana(e também lésbica), um dia é desafiada por uma amiga drag king a se vestir de homem e aceita. Depois de experimentar a sensação de não ser encarada com lascívia por homens na rua e a segurança que esse "anonimato" a transmite ela decide investigar como é ser um homem realmente. E a história do livro começa aí, na preparação do personagem Ned que a faz aprender a aplicar barba postiça e usar uma prótese peniana.

Prótese peniana? É, o livro tem momentos engraçados. O texto é muito bem escrito. É sincero e intrigante. Ela nos conta não só da sua experiência como homem mas das pessoas e principalmente dos homens que ela encontra. Norah viveu 18 meses como um. Ingressou numa liga de boliche masculina, trabalhou como vendedor de porta-em-porta num ambiente de trabalho extremamente competitivo, passou três semanas em um monastério, teve encontros românticos com mulheres, frequentou clubes de strip-tease e participou de um retiro para homens entrarem em comunhão.

Norah, por ser mulher e lésbica, tem uma visão bem crítica do comportamento masculino, sua "arrogância" e "liberdade", mas no decorrer de sua jornada compreende as pressões, anseios e desejos que cercam a figura masculina. Isso nos dá um retrato bem interessante do que é ser homem numa sociedade machista como a nossa. Ao fim do livro a autora acaba entrando em um processo de depressão devido a censura da expressão de emoções a que ela se impõe para fazer de Ned um personagem convincente.
FEITO HOMEM (SELF-MADE MAN: A WOMAN'S JOURNEY TO MANHOOD AND BACK)
Autor: VINCENT, Norah
Editora: Planeta
No. de páginas: 302
Preço médio: R$ 33,00

sexta-feira, 13 de março de 2009

A-Gays

Estou de volta aos ares cariocas. Sempre me divirto em São Paulo e não sou nada bairrista, mas é claro que sinto as diferenças, e estando acostumado com o Rio, a tendência é a torcer pelos cariocas.

Estou falando de gays classe A. No Rio, temos as estrelas da Globo e ocasionalmente uma ou outra até dá pinta em alguma night, mas quase nenhuma é assumida. Em São Paulo, vemos na cena gay pessoas que ficaram famosas por participar dela, como André Fischer, Johnny Luxo, Alexandre Herchcovitch, Marcelo Sommer, André Almada...

Eventualmente esse povo aporta no Rio também, mas aqui... não sei. Parece que mesmo com toda a futilidade e vaidade, não ligamos muito para "estrelas gays". Temos o André Piva e o Carlos Tufvesson, mas acho mais fácil vê-los em meio a elite gay paulistana.

Esse assunto me intriga por aquela questão da identidade, pois é lógico que essas pessoas são arquitetos, jornalistas, estilistas, mas acabam sendo identificada primordialmente como homossexuais.

Acho engraçado que em São Paulo eu consiga sentir que dão valor a essa posição. Claro que todo mundo acha curioso ver alguém conhecido, ou pode ficar orgulhoso de estar no mesmo lugar que uma celebridade ou num evento disputado. Mas lá, senti que algumas vezes existia uma valorização dessas pessoas simplesmente pela fama. E no caso, por serem gays famosos.

É interessante quando essa fama traz benefícios à "comunidade", mas ainda assim, acho engraçado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Devassos no Paraíso: A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade

Como disseram aqui no blog, este livro é leitura obrigatória.

"Devassos no Paraíso", de João Silvério Trevisan, fala da homossexualidade em nosso país como um todo. Traça seu perfil histórico e sociológico.

A introdução discute a questão da identidade homossexual que tanto permeia esse blog, com a centralização em sê-lo no Brasil. A parte histórica começa com a inquisição e o "Deus punitivo" e segue até os anos em que a homofobia procurava na ciência a razão para se justificar. Continua com o papel do homossexual na arte, na mídia e no século XX, chegando a "manipulação da homossexualidade" pela sociedade atual. O que nos faz constatar que temos um passado, um legado, isso sem esquecer da epidemia da AIDS e do nosso papel nela. Nos apêndices, Trevisan fala mais sobre o vírus, integração social e as paradas do Orgulho.

Além das informações valiosas, o livro desperta o interesse por mostrar o absurdo que faz parte do nosso país. Só no Brasil é possível um transexual ser um sex-symbol enquanto travestis são mortos à pedradas. Só aqui há paradas de Orgulho com mais de um milhão de pessoas e campanhas políticas nos acusando de espalhar doenças.

Há críticas ao comportamento da sociedade que nos hostiliza, mas também ao mundinho gay e suas picuinhas.

Sem dúvida, o primeiro livro que um cidadão brasileiro que se interesse pela questão do homossexual em nosso país deve ter na prateleira. E não pra ficar de enfeite.

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DEVASSOS NO PARAÍSO
Coleção: CONTRALUZ
Autor: TREVISAN, JOÃO SILVÉRIO
Editora: RECORD
Nº de páginas: 586

Preço médio: R$ 60,00

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sou Gay, mas Sou Limpinho

"Sou gay, mas não sou pintosa e nem curto."

"Sou gay, mas pretendo ter uma vida digna. Quero me casar e ter filhos."

Participando de fóruns gays pela internet você sempre se depara com frases desse tipo, de pessoas que usam algum adjetivo em contrapartida a se dizer gay. Como se ser gay fosse uma "falha" a ser compensada.

Acho dificil dizer que uma pessoa é bem-resolvida ou não por causa de uma única frase. Eu já me peguei dizendo que Fulaninho Hetero é "homem". O fato é que existem certos valores socialmente construídos que acabaremos demonstrando em nossa fala até mesmo sabendo que estamos errados. Mas isso não quer dizer que deve servir como desculpa.

"Sou gay, mas não curto ambientes GLS. Não tem nada a ver comigo."

Como eu já disse em outro post não acho que ficar sempre levantando a bandeira do orgulho a atitude mais correta mas discordo ainda mais da postura "só porque sou gay não quer dizer que tenho outras coisas em comum com outros gays" porque acho difícil o convívio se aceitar completamente quando só se convive com pessoas diferentes e que muitas vezes não querem nem saber de nossas experiências pessoais sobre relacionamento e afins. Eu dificilmente considero alguém meu amigo se essa pessoas não sabe que sou gay. Se não me sinto a vontade pra falar sobre com quem me relaciono afetivamente acabo ficando desconfortável e evitando a pessoa. Mas o que fazer quando você não se sente confortável consigo mesmo? Acho que a auto-aceitação é o processo mais complicado de ser gay. Será que é possível se livrar de todos os valores culturais que absorvemos durante boa parte da vida?

Pride and Prejudice - Part two

Então eu assumo uma americanização leve. Algumas pessoas já a julgaram crônica, mas eu gosto muito do Brasil e de muita coisa na nossa cultura para concordar com isso.

Em geral, acho nacionalismo uma bobagem. Por que ninguém escolhe onde nascer, então é a mesma coisa que se orgulhar do tamanho do nariz. E tem também aquele papo de "fazer alguma coisa a serviço da pátria" que sinceramente...

Mas enfim, hoje eu estava me escravizando à cultura da beleza gay na academia e lá só passa a MTV. Então, mais um clipe de Hip Hop, reconhecível pelo homem negro não muito atraente vestindo roupas ENORMES, com correntes de ouro no pescoço, uma penca de mulheres gostosas em trajes sumários e dois ou três carros de luxo atrás.

Então eu fiquei pensando no último post do LD, nessa coisa da "cultura negra norte americana" e é claro, no Obama.

Acho que a questão começa com a ideologia estadunidense da "terra das oportunidades". Essa é a identidade nacional (como a nossa é a de ser "malandro boa-praça") e algo com o que todos lá devem conviver. Uma terra de igualdade onde todos podem fazer como Lincoln e ir de lenhador a presidente.

Mas aí, como no mundo todo, temos a população negra... a população que só deixou de ser escrava faz 144 anos. Problemas de absorção social, segregação e através da música vimos essas pessoas terem alguma representação. Uma voz mesmo. Nos anos 80, o Rap e o Hip Hop vomitaram a revolta e os protestos de quem não tinha outra forma de falar. Mas com o sucesso, veio o dinheiro, a conquista do sonho, e acabou o fermento para o protesto... restou se pavonear do dinheiro ganho, das coisas e mulheres compradas com ele. O funk teve a mesmíssima trajetória aqui.

E então, Barack Hussein Obama (cara, ele TINHA que se chamar Osama...). A eleição dele foi linda, o mundo todo torcendo e apostando numa mudança do império. É claro que a esperança tem fundamento, mas é lógico que o Bush foi fundamental para isso, né? Se não fosse tão burro, não teria tanta gente clamando por mudança.

Mas Obama é "nossa gente", esperança para negros, gays e imigrantes, assinando tratado pela igualdade de salário entre homens e mulheres e tudo. Difícil prever se ele conseguirá sustentar a expectativa global. Provavelmente não. Mas já entrou para a história só de concorrer, e ainda ganhou. Na pior das hipóteses, teremos um governo MUITO melhor que o anterior, e os jovens negros terão um modelo mais saudável do que os pimps do Hip-Hop.

Quanto a nós, continua a esperança de que as mudanças lá sejam boas para o resto do mundo e que a crise não seja tão violenta por aqui. Está muito mais difícil arrumar emprego e comprar coisas, mas ainda dá para usufruir das coisas boas da cultura americana. Há quem duvida que elas existam, mas só por anti-imperialismo mesmo. Alguém VIVE sem tomar Coca-Cola? HOW?