terça-feira, 14 de julho de 2009

Som e Fúria e o Ridicularidade da Homofobia

Em momento nenhum eu quero fazer apologia a "pirataria" de produtos autorais pela internet. Mas achamos que quando tais produtos encontram-se indisponivéis por só serem transmitidos em outros países (animes japoneses por exemplo) ou o horário em que ele passa na TV é incompatível com a sua rotina não pode-se esperar que as pessoas se privem de um conteúdo que lhes interessa.

Gostaria de falar sobre "Som e Fúria" a nova minissérie da Globo. Muita gente cai em cima das mídias de massa. Acusam de não produzir nada culturamente superior. A gente aqui do blog não tem problema com bad TV. Na verdade a gente ama isso. Mas também gostamos de coisas mais... complexas.

Não estou em condição de falar se essa série é boa ou não porque ainda não vi nada direito e ela ainda nem terminou mas desde pelo pouco que tive acesso do primeiro capítulo já posso falar que ela merece algum destaque porque ela, no primeiro capítulo, ridiculariza a homofobia do mesmo jeito que eles ridicularizaram por anos a comunidade LGBT, através do estereótipo.

Eu não acho que estereotipar as pessoas é uma coisa legal, mas dar um pouco do próprio veneno a quem nos olha por cima é MUITO bom.



Começa a ver a partir de 6:50. Mas pelo que pude ver desse primeiro episódio vale a pena ver.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

The Celluloid Closet (1995)


Falando em Commercial Closet...


Só tive a oportunidade de ver esse filme porque um amigo conseguiu comprar esse filme. Hoje sei que ele está disponível internet a fora mas não estou aqui pra incentivar a pirataria.

Na busca que fiz antes de postar descobri que os diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman são também os responsáveis pelo obrigatório Paragraph 175 (O Triângulo Rosa) - um filme sobre a perseguição nazista aos homossexuais. Em ambos os filmes é possível perceber a investigação documental dos dois. Acho até que o filme fala as suas referências bibliográficas além do livro do livro homônio de Vito Russo.

Celluloid Closet (O Outro Lado de Hollywood) fala sobre a presença de personagens homossexuais em produções cinematográficas, principalmente norte-americano, desde o cinema mudo à produções mais recentes.

Este documentário conta com depoimentos de astros hollywoodianos como Tom Hanks, Whoppie Goldberg, Susan Sarandon e Shirley Maclaine assim como de autores como Gore Vidal (Ben Hur, Suddenly Last Summer) e Paul Rudnick (roterista de Será que ele é? e Jeffrey). Sem falar da participação do ícone Quentin Crisp - quem não conhece deveria ver a adaptação cinematográfica de sua biografia.

O legal desse documentário é o outing de cenas que passaram despercebidas pelo grande público, assim como os depoimentos sobre como a presença de tais personagens, mesmo de modo implícito na maioria das vezes, foi importante para algumas pessoas.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Publicidade Gay - Abordagem Alternativa

Agora que estou quase de férias voltei para terminar com esse tema antes de começar outros.

Em um recente comercial da norte-americana Levi's vemos um rapaz moreno em seu quarto escolhendo o jeans que vai usar e quando começa a vesti-lo percebe que quando ele sobe as calças emerge um cenário urbano ao seu redor que inclui um rapaz loiro em uma cabina telefônica que lhe sorri. O rapaz moreno, então, olha para a calça e volta para o loiro com um olhar decidido e puxa as calças de uma vez, fazendo com que o cenário urbano tome conta da tela. E é nesse novo cenário que o rapaz loiro vem ao encontro do protagonista e os dois seguem na mesma direção.11

Nesse comercial é possível a interpretação de um desfecho gay implícito. Orlandi diz que "segundo Diderot, há 'modos de expressão implícita que permite deixar entender sem incorrer na responsabilidade de ter dito'" para argumentar que o silêncio "não remete ao dito, ele se mantém como tal, ele permanece silêncio e significa". Então não seria porque o anunciante não recorreu a estereótipos ou mostrou um enlace de mãos no final que o anúncio não deixa de afirmar, também, que os dois personagens formam um casal. [ORLANDI, p. 67-68]

Há também a possível interpretação de que os dois rapazes são apenas amigos e que ao vestir o jeans o rapaz moreno não precisava vestir mais nada para ficar pronto e sair de casa para curtir com os amigos. A analista Eni Orlandi defende que "o sentido é múltiplo porque o silêncio é constitutivo" e "o silêncio trabalha os limites das diferentes formações discursivas, isto é, trabalha o jogo da contradição de sentidos e da identificação do sujeito". [ORLANDI, p. 73 e 6]

Essa ambiguidade interpretativa motivada pelo final em aberto do não entrelace de mãos, que delega ao espectador a escolha entre qual leitura possível é conveniente foi uma saída inteligente para o problema que qualquer anunciante enfrente quando tenta abordar o mundo LGBT, não provocar a ira de indivíduos homofóbicos e/ou conser. Porémvadora da sociedade. Embora para Bakhtin1: "um enunciado absolutamente neutro seja impossível"12. Porém, diferente do comercial da A&F, a ambiguidade da peça Levi's não é tão sutil.

Numa época em que anúncios com tema LGBT tem se tornado cada vez mais frequentes, o "gregarismo da repetição" torna o tema mais visível ao grande público já que "os signos só existem na medida em que são reconhecidos"13. Provavelmente se esse mesmo anúncio tivesse sido produzido algumas décadas mais "inocentes" atrás o mesmo teria passado despercebido por grande parte do público.

No entanto esse comercial perde a oportunidade de passar despercebido, também, quando foi inicialmente veiculado somente nos intervalos de programas com alto índice de uma audiência LGBT e no canal norte-americano direcionado ao mesmo público, LOGO, o que só re-afirma o posicionamento da marca na questão da diversidade sexual e "compromete" a marca ao ser associado por homofóbicos como incentivadores do "estilo de vida gay" (detesto esse termo). Acho que por não se comprometer, de fato, aos olhos da audiência gay que já compreende o significado da inexistência de demonstrações físicas de afeto em uma representação na mídia de uma relação homoafetiva usuais em filmes, novelas e seriados que não podem arriscar uma possível perda de aundiência e preferem não tomar partido exibindo o que poderia desagradar boa parte dos espectadores.

Então, mesmo sendo um comercial produzido como uma alternativa para a versão "hétero" da peça onde uma moça substitui o rapaz na cabine telefônica14, na era da Internet e do Youtube, a existência da versão "gay" não teria como não chegar aos olhos do grande público, fazendo com que a própria Levi''s tomasse uma posição e começasse a veicular o anúncio regularmente. Decisão essa que deve ter sido levada em consideração na premiação da associação norte-americana Commercial Closet Association - que monitora e avalia a abordagem da minoria LGBT nas diferentes mídias de propaganda (impressa, televisiva, etc.) em todo o mundo - pois essa peça foi a grande vencedora do ano de 2007.

A usual tática de algumas empresas de olho no pink money de produzir versões para os diferentes segmentos de público se encontra ameaçada pela rapidez da circulação de informações na internet que não possibilita que o espectador veja somente um ou outro.

12 BAKTHIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martings Fontes, 2003
13 BARTHES, Roland. Aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França. In: Aula. São Paulo: Cultrix, 1996

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Great News!

Vi no MIX, um casal sueco está criando seu filho sem definição de gênero.

A criança, chamada de POP, é quem escolhe o que vestir, por exemplo, optando por roupas femininas ou masculinas dependendo do dia.

Achei o máximo. É claro que Pop terá algum tipo de conflito com isso, pois terá que lidar com uma sociedade onde esses papéis devem ser definidos, mas acredito que essa liberdade fará dele ou dela uma pessoa muito melhor, com características individuais genuínas.

E quando chegar a hora, Pop que escolha. Como a civilização é legal!
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Outra coisa, dessa vez mais próxima, é que a Procuradoria-Geral da República (PGR) ajuizou ontem uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo no País, da mesma maneira como são reconhecidas as uniões entre homens e mulheres e com os mesmos direitos e deveres. De acordo com a apresentação do recurso, a união entre pessoas do mesmo sexo "é uma realidade fática inegável, no mundo e no Brasil".

Vamos torcer, né? A idéia é justamente burlar todo o escândalo feito pelos opositores do "casamento gay", assumindo que o que é necessário é uma legislação que proteja o direito dos cidadãos que vivem relações assim, sem "ameaçar a instituição do casamento".

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ALOCKA!!!

Gente, pelamordedeus, assinem o abaixo-assinado para proteger a tradicional boate A LOCA, este TEMPLO me deu uma das melhores noites deste ano, pois foi o único lugar que tocou o tema de "Maria do Bairro" sem eu precisar pedir, e não pode sofrer por causa de homofobia! Assinem!!!

domingo, 28 de junho de 2009

Queer King


Então o Pop perdeu o seu rei. Para mim, o pop é a música, então é como se toda a música estivesse acéfala...

Michael era um gênio, e mesmo com as inesquecíveis imagens de seu declínio e das suas esquisitices, sempre lembraremos do seu talento. Era quase bizarro ver uma apresentação dos Jackson Five, pois Michael, o caçula, tinha tal magnetismo que era impossível reparar nos outros quatro.

Depois ele ascendeu a rei do Pop, quebrou recordes e se tornou um mito, até que o inevitável declínio o transformou em "Wacko Jacko".

Ian Halperin, em extenso artigo no Daily Mail, fala sobre a exaustão física e mental que levaram o rei do Pop à morte. É inegável que a pressão para fazer os 50 shows de retorno em Londres teve uma grande parcela nisso tudo.

Mas o artigo fala também da homossexualidade de Jackson. Segundo o repórter, ele gostava de homens mais jovens (não meninos...), e chegou a se travestir para sair de um motel onde se encontrava com um desses homens.

A sexualidade de Michael não é algo relevante, ainda mais agora, mas é provável que as provas disso, se existirem, vão aparecer em breve. A questão é que independente de ser gay ou não, com certeza ele experimentou o pior lado de ser "diferente".

Apesar do talento inegável, Michael não teve uma infância normal, já que em pouco tempo a responsabilidade de sustentar a família estava em seus ombros. Como Popstar, as atenções do mundo lhe negaram uma vida privada (o que, para um homossexual, seria ainda pior...), e depois, como excêntrica figura, ele era alvo de zombaria.

Agora, como é praxe na morte, o mundo parece esquecer tudo e todo mundo corre para as lojas em buscas dos Cds e DVDs do ídolo.

Talvez essa seja a parte mais cruel da coisa toda. A mais esquisita. A mais queer.

*
Bem, o que eu REALMENTE quero saber é o que será feito do oscar de melhor filme de "...E O Vento Levou", comprado por Michael em 1999 por US$ 1.500.000,00. Este é sem dúvida o objeto que mais desejo possuir no mundo todo (junto do Oscar da Vivien Leigh, claro), então fico me perguntando onde ele vai parar...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Tá na mídia! - Parte 2

Como frisou nosso fiel comentarista (eu já ia falar nisso mesmo...), Gilberto Braga declarou que "atores com potencial de galã não devem se assumir gays".

Isso acaba com o meu projeto de estrelar a primeira novela das oito gay com Reinaldo Giancchinni, partindo para uma escandalosa entrevista onde assumiremos nosso romance fora das telas, culminando com nosso casamento em Vermont e lua de mel devidamente registrada pela CARAS em Nova York.

Mas enfim... em entrevista a revista JUNIOR, o autor afirma que:

“A maior parte do público é preconceituosa. Morre de medo do filho, a filha, virarem homossexuais. Personagem caricato não amedronta. É muito natural que o caricato seja aceito com mais facilidade.”

“Acho que a mulher deseja o galã. Se souber que é gay a “passarinha” vai deixar de cantar. Por isso, acho que ator gay com potencialidade de galã tem mais é que ficar discreto. Veja o caso do Rupert Everett. Excelente ator. Bonitão. Desde que se assumiu, está sendo chamado pra papéis de galã? Que eu saiba não está."

Pois é, há várias questões aí. Não dá para dizer que ele não tem razão, até por que é alguém que conhece o sistema e sabe do que está falando.

No meu romantismo, sempre desejei uma sociedade que percebesse a diferença entre atores e personagens, sem limitar intérpretes gays a personagens gays. A minha monografia é sobre esse assunto. Mas será que isso é possível? Será que é desejável?

Durante muito tempo eu me angustiei com a possibilidade de ser estereotipado como um "intérprete gay de personagens gays". Mas aí, depois de um tempo, me perguntei se isso seria mesmo ruim. Não gostaria de ser limitado a nada, mas gostaria de utilizar meu trabalho e minha arte para questões que me interessem, especialmente se puder ajudar na discussão de questões importantes. Assim, não sei dizer se seria uma maldição tão grande ser gay também dentro das telas.

Gilberto Braga citou o ator Rupert Everett, mas ele já fez papéis de galã depois de ter se assumido sim, embora seja geralmente escalado como o "homossexual de humor ácido". A questão é saber se ele está confortável com isso.

Um caso de sucesso é o do ator Neil Patrick Harris, que sendo famoso desde criança, se assumiu gay na revista People e faz sucesso com a série "How I met your mother", onde interpreta um heterossexual pegador (ela já conseguiu, inclusive, que seu namorado fizesse pontas na série...).

Há também as especulações sobre homo e bissexualidade de diversas estrelas, aqui e nos Estados Unidos, mas é incrível que atores "heterossexuais" recebam tantos elogios ao interpretarem personagens gays, e o contrário pareça impensável.

Salve o ator e ativista (Sir) Ian Mckellen, que utiliza a popularidade em filmes teen para falar sobre a questão gay, e acredita que seria positivo que atores gays se assumissem.

Eu sei que por toda a história da masculinidade é difícil para o público geral imaginar, fisicamente, que um homem se deixe penetrar por outro, mas imprimir essa imagem a uma pessoa, a ponto de bloquear a percepção de uma história, é simplesmente loucura.

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Estou de luto por que a Farrah Fawcett perdeu a luta contra o câncer. Minha pantera preferida sempre foi a lindíssima Jacklyn Smith, mas Farrah era a mais famosa, inspirou o mais conhecido dos moldes da Barbie e estrelava uma série que mostrava que as mulheres podiam ser as agentes secretas hiper inteligentes e boas de briga. Tudo sem desfazer o cabelo, claro.

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E o Michael Jackson, héin? Sinistro!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tá na mídia!

Cinco dias depois da Parada de São Paulo, é natural que suas reminiscências ainda estejam pipocando na mídia, especialmente na "Mídia Gay".

Hoje me deparei com este artigo da revista ACAPA, que está em perfeita sintonia com as dicussões aqui do P-Files. Leiam.

Muito interessante o questionamento final, sobre liberdade de um dia e a reação dos heterossexuais à Parada. Dá o que pensar...
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Sobre o caso Marcelo, a polícia trabalha também com a hipótese de latrocínio, já que a vítima teve seu celular roubado naquele dia, e não participou da Parada.
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Parece que a "bomba" no fim da Parada era um rojão, mas aparentemente é "tendência". Um seleto clube gay do Rio teve o portão detonado por uma bomba no mesmo dia.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

LUTO

Notícia do Mix Brasil.

Morreu hoje o homem atacado após a Parada Gay de São Paulo. Marcelo Campos Barros foi espancado por um grupo de pessoas nas proximidades da Praça da República.

O cozinheiro, de 35 anos, sofreu traumatismo craniano e passou por uma cirurgia, mas não resistiu e foi declarado morto nesta tarde.

Segundo amigos, Marcelo sequer participou da Parada e só passava pelo local.

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Com isso, a bomba na dispersão, o corte de verba e a possibilidade de sair da Paulista, fica difícil continuar pensando na Parada como um desfile harmonioso pelos nossos direitos.

Por ser carioca, eu sempre me senti protegido. Já escutei muita coisa, especialmente quando era criança, mas não tenho medo de sair na rua ou de dizer que sou gay quando alguém pergunta. Vivo numa ilusão de que o tamanho da minha cidade me protege.

Mas então, essas coisas acontecem na vizinha e muito maior São Paulo. E aí? Eu sempre tive facilidade em criticar a lamentar os crimes contra travestis no interior do Nordeste, pois é uma realidade distante, que eu posso considerar como apropriada a uma sub-cultura regional.

Mas aí acontece uma coisa assim e em tempos de crise mundial com o Brasil respeitado, eu já estava quase considerando o país como "evoluído", pelo menos de acordo com os meus conceitos.

Mas ainda temos evangélicos impedindo questões GLBT de serem votadas no congresso e gente morrendo de tanto levar porrada, na maior cidade do País, simplesmente por que é dia da (maior) Parada Gay.

Fico PUTO.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

É pra protestar mesmo...

"Nota oficial da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo sobre casos de violência homofóbica pós-Parada

Considerando as manifestações homofóbicas ocorridas em locais de freqüência de LGBT após a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo vem a público manifestar sua indignação e esclarecer que:

a. Como entidade organizadora da Parada, a Associação da Parada trabalha em parceria com a Polícia Civil e Militar para evitar situações de violência e desrespeito à legislação vigente, o que sempre fez da Parada uma atividade pacífica e com baixos índices de ocorrências relativamente às proporções da manifestação;

b. Como entidade ativista pelos direitos LGBT, a Associação da Parada considera que os atos marcadamente homofóbicos que ocorreram após o evento, como o espancamento na rua Frei Caneca e o arremesso de uma bomba de um condomínio na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, são expressões da homofobia a que estão submetidos cotidianamente LGBT na cidade de São Paulo e no Brasil. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico (na pesquisa divulgada pela FPA, 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu preconceito);

c. Consideramos, ainda, que os casos ocorridos se revestem de especial gravidade, sobretudo pelo significado que adquirem ao atingir integrantes de uma comunidade altamente estigmatizada e violada em seus direitos no dia em que se manifesta em favor do reconhecimento desses direitos;

d. Assim sendo, reiteramos nosso clamor, expresso também por via de Ofício encaminhado pela Associação da Parada, para que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo atue com afinco e rigor na apuração dos fatos e na punição dos autores de tais atos de violência;

e. Conclamamos, junto a outros grupos LGBT e entidades da sociedade civil da cidade e do estado de São Paulo, a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e a população solidária a comparecer à manifestação "Homofobia, Basta! Justiça, já!", que ocorrerá no próximo sábado 20 de junho, na Av. Dr. Vieira de Carvalho, a partir das 19 horas.

Diretoria da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 16 de junho de 2009"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A parada é essa!


Pois é, por muito pouco, a maior parada do Orgulho do mundo não contou com a minha fabulosa participação.

Estava eu prosaicamente voltando da minha reunião semanal de colecionadores de brinquedos (sim gente, eu sou gostoso, mas sou MUITO nerd!), quando meu telefone toca e é um dos meus três melhores amigos homens, dizendo que seu namorado possuidor de um carro deu a louca, vai na parada, e que eu podia ir também. Como a chance de eu um dia coçar o bolso para ir me meter na multidão suada, mesmo que por Orgulho, é remota, me animei. Mas o plano não deu certo, e não foi dessa vez que a Paulista me viu em plumas cor de rosa...

Mas, mesmo sem mim, a parada aconteceu. Pouco depois do meio-dia,numa tarde fria, mas ensolarada, milhares de gays, lésbicas, transgêneros e simpatizantes desfilaram fantasias, sensualidade e alegria, num grito de orgulho que nunca se calará.
Com esquema especial nos hotéis, já que o evento é o principal acontecimento turístico da megalópole, o pink money correu nesse feriadão.

Apesar do grande número de furtos em eventos desse porte, a polícia registrou menos ocorrências do que no ano passado, e em geral a parada correu tranquilamente.
O único grande problema foi já na dispersão, quando uma bomba jogada de um prédio feriu cerca de 20 pessoas...

A campanha "Não Homofobia" conseguiu cerca de mil assinaturas a mais, o que não é muito, mas serve para algo.

Fica claro que, aqui no P-Files, as opiniões sobre a parada divergem. Quer dizer, até concordamos no que diz respeito a ser "anti-carnaval", que eu não suporto muvuca, mas li uma frase (queria me lembrar de quem...), que dizia que se assumir é que nem reciclagem. Se você recicla, faz a sua parte pelo ambiente. Se você se assume, faz a sua parte pelo movimento gay.

Como já disse aqui, não me sinto em nada diminuído pela pegação que rola na parada. O que choca, o que nos diferencia, é o sexo mesmo. Acho mais político ver um exército de homens se agarrando do que um com um megafone. E no caso da parada, temos alguém dizendo o que importa nos megafones, e a horda de pessoas corajosas o suficiente para usar brilhos e se pegar na rua, dando força para o que está sendo dito.

Eu entendo a desilusão do meu amigo, até por que ele estava lá trabalhando e eu estava só desfilando sem camisa, mas depois de uma vida inteira sendo julgado justamente pela minha sexualidade, não posso aceitar que seja condenável as pessoas exercerem essa sexualidade num dia festivo. Heterossexuais fazem isso o tempo todo, e no Carnaval não há nem esse verniz de politíca (nem deveria, mas enfim...).
E como diz a música: This is my life, gonna hold my head high, gonna live it with pride ´till the day that I die!

Sobre a Parada

Houve um tempo em que o mês de junho representava um mês em que eu procurava participar de todas as atividades referentes a Parada Gay do Rio. Paletras, feiras e trabalho voluntário.

Acho que foi em 2005 em que eu fui voluntário da Parada pela 1a vez. Foi legal ajudar com a adesivagem dos cartazes, conhecer as pessoas envolvidas na preparação, outros voluntários, outras pessoas dispostas a fazer algo além de comparecer e dar pinta (muita, sempre!).

Inicialmente eu fui com uma "amiga" lésbica que tinha conhecido na internet. Nós tinhamos vontade de participar da preparação da parada mas nunca tinhamos alguém pra ir. Então fomos juntos no primeiro dia (se bem me lembro), mas depois ficou difícil para ela ir, então fui alguns dias sozinho mesmo. Eu era mais novo e mais crédulo.

Nesse ano teve um evento oficial pré-parada no Museu da República onde ocorreria uma feira e uma série de palestras. Participei de algumas, muito boas por sinal. No fim do dia seriam distribuídas as camisas dos voluntários que colaborariam durante a parada e seriam distribuídas as tarefas. Como eu estava sozinho e não tinha nenhuma preferência acabei ficando responsável em ajudar na corda do trio das lésbicas.

Resumindo, a parada foi legal. Fiquei até o fim. Foi diferente participar do outro lado do evento. Aprender sobre a logística envolvida e o esforço do pessoal responsável. Não saí de perto da corda por nada. Nem lembro se comi. Recebi várias cantadas. Esbarrei com amigos e conhecidos. E fiquei com a camisa. =D

O problemático pra mim foi a reunião dos voluntários pós-parada. Lá eu escutei sobre como há uma certa "competição" entre as paradas do Rio e de Sampa. Por isso que eu acredito que as datas são tão distantes. Percebi que há um esforço maior em fazer da parada um evento bem-sucedido em números de participantes do que um protesto político capaz de fazer alguma diferença. Mas o que mais me desapontou foi perceber a verdadeiro carnaval que é. Escutar as histórias de pegação na praia e tudo mais. Também era mais ingênuo.

Hoje eu acho a parada um evento bastante interessante, a maior festa gay do mundo, principalmente a de São Paulo. Mas se eu já não gosto de carnaval, a parada eu deixo para os que gostam.

sábado, 13 de junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

I`ve got my pride... and no one`s gonna take it away!

Quarenta anos atrás, pouco depois da morte ter levado Judy Garland para além do arco-íris, um grupo de homossexuais reunidos em um bar do Village foi (mais uma vez) atacado por policiais. O que mudou em 28 de Junho de 1969, foi que pela primeira vez, as bichas revidaram.
A coisa começou mesmo com os movimentos liberatistas dos anos 60, e a frequência underground do Stonewall Inn (travestis, prostitutos, traficantes e efeminados). Com um sistema que favorecia ações repressoras, não era raro que batidas policiais terminassem em violência num lugar assim, mas às portas dos anos 70, essa população marginalizada resolveu que era hora de revidar. Com protestos nas noites seguintes e o ambiente liberal do Village fomentando grupos ativistas, esse foi o marco incial do movimento que hoje é simplesmente conhecido como ORGULHO.
"ORGULHO" é a palavra escolhida por ser o oposto de "VERGONHA", que tão frequentemente é usada para diminuir homossexuais. A partir dos eventos de 1969, o movimento do orgulho ganhou o mundo (pelo menos o ocidental)e apesar de ainda termos muito pelo que lutar, já conseguimos tantas coisas nesses 40 anos... é emocionante ver as estátuas brancas do Christopher Park, em frente ao Stonewall Inn, e pensar que naquele lugar, por causa de um grupo relativamente pequeno, temos o direito de andar de cabeça erguida.
As paradas gays são hoje um tema espinhoso dentro da comunidade (e até dentro desse blog), já que seu valor ativista parece se perder numa festa hedonista de paetês. O que eu acho é que com sexo ou não, as paradas ainda prestam um grande serviço, nos colocando no mapa e movimentando dinheiro. Há homossexuais que excluem efeminados, travestis e transgêneros, numa reprodução patética do machismo a que todos nós somos expostos. É maravilhoso que esses indívíduos possam ver, mesmo que pela TV, que há muitos homens dispostos a sair na rua de salto alto, numa atitude mais valente do muitos atos heróicos. É lindo que crianças possam se divertir vendo Drag Queens se divertindo, mesmo que a princípio sintam algum estranhamento. E mesmo com festa, sempre há espaço para discursos e reinvidicações.
Nesse ano, celebramos os 40 anos do início do movimento, e nos Estados Unidos temos um presidente que declarou o mês de Junho oficialmente como o mês do orgulho. Então, vamos nos orgulhar e celebrar, pois está chegando a hora! No Brasil, temos a maior parada do mundo, e ela será neste domingo, dia 14. Eu, infelizmente, não farei meu debut na Paulista esse ano, pois a pobreza me impede, e eu tenho que ir para aquela cidade em Julho, e dois meses seguidos não dá. Mas quem sabe um dia... vou esperar pela parada do Rio, e pedir a todos os leitores que puderem ir a São Paulo nesse fim de semana, que o façam e comentem aqui.Abaixo, um calendário de algumas das paradas pós-São Paulo:

14/06 - São Paulo (SP): XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
28/06 - Porto Alegre (RS): Mini Parada do Desobedeça
28/06 – Fortaleza (CE): X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará
01/07 - Juazeiro do Norte (CE): Mês Cultural LGBT
03/07 - Juazeiro do Norte (CE): Parada do Orgulho LGBT: Por um Cariri sem Homofobia, Mais Cidadania
19/07 – Brasília (DF): 12ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília
23/08 – Teresina (PI): 5ª Semana do Orgulho de Ser
29/08 – Natal (RN): 2ª Caminhada de Lésbicas de Natal / Seminário de Lésbicas
29/08 - João Pessoa (PB): 8ª Parada do Orgulho LGBT
30/08 - Nova Iguaçu (RJ): 6ª Parada LGBT de Nova Iguaçu
30/08 – Aracaju (SE): VIII Parada GLBT de Sergipe
01/09 - Cabo Frio (RJ): 6º Cabo Free - Encontro de Cultura LGBT de Cabo Frio
06/09 - Cabo Frio (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Cabo Frio
06/09 – Florianópolis (SC): IV Parada da Diversidade
13/09 – Salvador (BA): IX Parada Gay
27/09 – Maceió (AL): 9ª Parada da Diversidade Sexual de Maceió
04/10 – Niterói (RJ): 5ª Parada do Orgulho LGBT de Niterói
11/10 - Rio de Janeiro (RJ): 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio 2009

Em tempo, dois vídeos. Um, contando quase toda a história do movimento:

(não entendeu, olha as figuras, que é muita coisa para eu traduzir)
E outro, explicando de onde saiu o título da postagem (de uma música que eu adoro, embora esteja num remix bem ruim aí embaixo):

Terminando o mega-post, não esqueçam de apoiar a campanha "Não Homofobia", do maravilhoso Grupo Arco-Íris.
E tenham ORGULHO!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mais youtube...

Um vídeo para entender o capitalismo (embora eu adore comprar coisas inúteis):

E um vídeo para nos esquentarmos para o dia do orgulho:

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Eclipse total do coração

Bom, eu AMO os anos 80. Se é estranho pensar que os anos 70 permitiram o Village People, fica claro que eles foram a pedra fundamental da década seguinte, com exageros simplesmente maravilhosos. Observem, por favor, o clássico vídeo abaixo:

Por si só, uma maravilha. Mas que tal a nova versão que circula no Youtube, com legendas que traduzem o espanto que ele causa?

Priceless.