terça-feira, 28 de julho de 2009
Neo-bofes ou "Rótulos não servem para nada?"
Na minha vida, tive um momento de conflito com o rótulo que me foi imposto pela minha homossexualidade, e como outros adjetivos me foram negados por esse rótulo. Mas tudo bem, o que é, é.
Assim, agora, me sinto meio datado quando vejo essa afluência de "ex-gays" nos programas de TV. Claro, não dá para dizer que esses personagens estão espelhando uma realidade, é mais aceitável que estejam somente se adequando aos preconceitos. Mas ainda assim, será que eu sou mesmo uma bichinha velha, por que nunca comi uma mulher?
Na verdade, até por um machismo que só admiti recentemente, eu gostaria muito de ter conseguido. Sou a favor de experiências, e acho que devia experimentar para pelo menos saber como é, mas o máximo que consegui foram beijos e fazer sexo oral. Não me animei para algo mais profundo, e envolvimento emocional então, foi algo que jamais foi sequer pensado.
Assim, me espanta a naturalidade com que esses personagens estão passando de uma coisa a outra. Será a hora de virarmos bichas pegadoras, realizando o pesadelo de milhares de namorados heterossexuais por aí?
Dizem que não existe "ex-gay". Eu prefiro acreditar que tudo é possível, já que muitos mistérios envolvem o amor e seus preâmbulos, mas com certeza existe "ex-hétero", já que até pelo estigma, muita gente leva um tempo para entrar em acordo com uma identidade gay.
Tem o caso de uma amiga minha, que logo que começou na faculdade fez amizade com um menino, e eles acabaram ficando. Depois de um tempo, ele experimentou um rapaz e disse que poderia ser bi. Agora ele mora em São Paulo, trabalha com moda e é completamente gay.
A minha teoria é de que essa homossexualidade já estava ali, só que não era percebida. Não estou falando de enrustimento, mas sim se pessoas que por qualquer motivo, não percebem a "sexualidade desviada". Mas aí, se temos um caso reverso, como é que fica? Será mesmo que alguém que passa por tudo que passamos para nos definir gays, é capaz de realmente se envolver com alguém de outro sexo? E por que essa idéia parece estranha? Será pelo costume de rotular tudo e todos?
Questões...
quinta-feira, 19 de março de 2009
PUR-PU-RI-NA...
E perdemos Clodovil. Já disse aqui que eu leio o tenebroso jornal popular "MEIA-HORA" (leio mermo...), e na edição de ontem, fiquei dividido. A manchete falando sobre a morte do estilista e deputado tinha uma chamada respeitosa, falando dele e de seu sucesso, mas terminava com um "VIROU PUR-PU-RI-NA" em letras enormes e purpurinadas.
O jornal tem um lado "humorístico", mas na hora eu achei ofensivo. Só que o resto do texto era respeitoso... e ando pensando muito sobre essa mania gay de "procurar cabelo em ovo" nas coisas (next post). Então, até agora, não me decidi. Pensei que o Clodovil não gostaria da manchete, e como mais uma vez a homossexualidade toma a frente da personalidade, mas ultimamente ele estava mais relax com relação a isso, então talvez até gostasse.
A "mídia gay" se pronunciou sobre Clô dividida entre o amor e o ódio, como parecia ser a relação dele com sua identidade sexual. Militantes reclamaram de ele nunca ter apoiado "a causa", artistas falaram da língua ferina e humoristas lamentaram o fim de uma fonte. Polêmica e mais polêmica até o fim.
Não sou militante e tenho ressalvas com algumas coisas no movimento. Acho infantil que cobrassem de Clodovil, somente por usa posição, uma postura pró-homossexualidade. Por que ser gay não é uma opção, então ninguém é obrigado a gostar disso, e como ele mesmo dizia, não há motivo em ter orgulho de dar a bunda. Sei que a luta da comunidade vai muito além disso, mas ninguém deve ser forçado a tomar uma posição nessa luta.
E para mim, querendo ou não, ele tomava. Clodovil podia ser "sem noção" algumas vezes, falar besteira, ofender os outros, mas estava lá. A luta gay começa pela visibilidade, e Clô mostrou a nossa cara na mídia muito antes da querela dos beijos gays em novela.
Uns dirão que era uma imagem negativa, de uma bicha efeminada e que não aceitava essa condição, mas acho que era uma imagem humana. Se hoje um rapaz gay é hostilizado, imaginem quando Clodovil veio ao mundo, 7 décadas atrás? E imagino que não devia ser fácil servir de chacota para o país, sendo a imagem do gay efeminado para praticamente todos os programas humorísticos.
Contudo, Clô se impunha, e mesmo com uma postura combativa, foi aceito pelas donas de casa, estrelou uma peça onde aparecia de terno, meia arrastão e unhas pintadas, após se assumir, e terminou em Brasília, com votação expressiva.
E agora, se foi. De repente. Para morrer, basta estar vivo, mas que coisa... no caso de Clô, há a imortalidade da fama. Um arremate de glória para quem começou de baixo.