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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Alcione, MV Bill e Direitos Humanos

Eu, obviamente não fui à parada. Não acho que ninguém deva ir, mas não gosto de bloco de carnaval, micareta ou afins. Se fosse uma marcha é mais provável que eu fosse.

Mas não é por isso que eu não posso participar dos outros eventos que ocorrem no calendário da Parada do Rio. Na última sexta-feira (30.Out) pela primeira vez fui na entrega do Prêmio Arco-Íris de Direitos Humanos. Fui com uma amiga hétero, meu namorado, e um amigo estrangeiro gay, mas na platéia tinha vários senhores de idade, jovens, pessoas de todas as classes e cores. Confesso que o coquetel anunciado na programação ajudou a ida de todos, assim como a simbólica quantia de R$1,99.

O prêmio elege personalidades, instituições, empresas e pessoas que se destacaram na promoção dos direitos de LGBT ao longo do ano. Problemas de produção à parte, foi MUITO legal. Eu que não acompanho tanto assim o que ocorre com todos os envolvidos da sigla LGBT fiquei feliz em saber que algumas poucas pessoas ainda fazem da sua vida uma luta por por direitos não somente individuais, mas de muitos outros que por quaisquer motivos não embarcam na luta. Aqui está a lista completa dos premiados.

MV Bill ganhou o prêmio na categoria Atitude pelo seu DVD Despacho Urbano onde utilizou cenas da Parada Gay do Rio . Durante o agradecimentou ele rappeou (?) a música "Só Mais um Maluco". Vale a pena dar uma conferida no vídeo de agradecimento. O discurso dele foi um dos meus favoritos.


"E a Alcione?" Essa foi a pergunta que meu namorado fez. Ele não sabia que ela era tão querida do público gay. A minha teoria é que músicas como "Ou Ela, Ou Eu" e "Além da Cama" por serem músicas em que obviamente a intérprete faz o papel de amante, que mantém um relacionamento não assumido socialmente, têm um forte apelo para gays e trans que muitas vezes levam relacionamentos longos às escondidas. Já vi alguns transformistas cantando músicas dela. Vale notar que as pessoas que compuseram essas músicas são homens. E o verso da primeira diz: "No aperto de mão, meu olhar vai pro chão pra ninguém perceber". Se fosse uma mulher não seria beijinho no rosto?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Parada do nosso amor...



Num dos anexos de seu glorioso Devassos no Paraíso, João Silvério Trevisan fala sobre as paradas gays e seu impacto em nossa vida social e representação política. O anexo se chama "A parada do nosso amor". Sempre gostei do título, pois é essencialmente isso mesmo, uma parada (do/pelo/em prol do) nosso amor.

Ontem, o Rio teve sua 14ª Parada, e mais uma vez eu tive a confirmação de que mesmo com a festa, este é um evento político de importância única, que para mim representou uma redenção e um recomeço.

A simples visibilidade já é significativa, mas no Rio temos um governador que apóia e comparece ao evento (e até dança...). Sem conseguir fugir de citar a vitória olímpica, Sérgio Cabral discursou e apoiou o evento, terminando com o óbvio: Se um homem gosta de outro, é problema só dele...
Nosso prefeito prometeu aumentar os recursos para o evento, que é tão benéfico para a cidade, e criar uma coordenadoria para promover o desenvolvimento de políticas públicas para a população GLBT.
Os trios mandavam o recado da igualdade e da tolerância, e uma religião sem preconceitos fazia divulgação (enquanto uma outra tentava nos convencer de que "a mulher é para o homem, segundo a vontade de Deus", e viva a diversidade de opiniões).

Choveu do início ao fim, mas isso não desanimou o povo. Hoje, veio a coroação. Apesar de ainda ser um título discutível, as preces do meu homofóbico detrator virtual não deram em nada (Deus devia ter mais o que fazer...), e o Rio foi escolhido como o melhor destino gay do mundo. Isso é ótimo para a cidade olímpica, pois mesmo que ainda estejamos longe do ideal, é mais um estímulo para chegar lá (o melhor destino americano é Nova York, and boy, we WILL be together again!).

Distribuição de camisinhas, divulgação de Do Começo Ao Fim e tivemos um evento pacífico, bonito, significativo e divertido. Um sucesso.

Para mim, um novo ciclo. Sete paradas atrás, eu estava feliz da vida, pois finalmente tinha encontrado alguém para chamar de meu. O Brasil era penta, e a alegria generalizada só fez da parada uma festa maior. Redescobri um amigo de infância e revi o L.D, que logo se tornaria tão fundamental para minha vida. Tinha esperanças... Nesse ano, foi um recomeço. Talvez a chuva tenha servido para "lavar a alma".
Não gosto dessa idéia de "Lei do retorno", acho simplista, como quase todas as teorias que buscam confortar o povo. Se Deus não existe, EU sei bem que o meu antigo relacionamento teve muitos momentos felizes, mas claro, foram os ruins que o levaram ao fim, e talvez eu tenha sido recompensado por eles... O meu piercing no nariz está de volta. Involução? Prefiro pensar que é uma aliança. Depois de anos, eu finalmente posso voltar ao que era, sem perder o que aprendi no caminho. Relacionamentos são complicados, pois é difícil se adaptar a uma pessoa nova, desconhecida, que de súbito fica tão próxima. É preciso se comprometer, mudar... e não me arrependo de nenhuma mudança que tive. As reversíveis não eram mudanças verdadeiras, então basta retomar o que havia de bom no meu antigo eu, tão jovem, e adicionar a experiência desses sete anos. Talvez as energias da compensação tenham agido para que eu estivesse preparado para recompensa, pois eu tenho certeza que sou uma pessoa melhor agora, muito mais merecedora desse novo amor, desse novo tempo, desse recomeço...

sábado, 24 de outubro de 2009

O Nobel da Guerra mobiliza o Império...


Então Barack Obama ganhou o Nobel da Paz e muita gente se perguntou o por que... É claro que todo mundo sabe que independente de qualquer atitude, o prêmio foi dado por que não existe um Nobel da Guerra para premiar o Bush, mas muita gente chiou.

Obama foi eleito como um salvador, para o cargo mais importante do mundo, e todo mundo esperava um milagre. Eu sempre fui contra essa idéia de que "presidente é rei", e que basta colocar um homem numa cadeira e ele sozinho resolverá tudo, mas perto de completar um ano de governo, a administração Obama está cada vez mais impopular...

O primeiro grande problema foi a crise econômica, que embora já esteja praticamente resolvida, deixou o Império Americano mais fraco do que nunca. Agora, a pressão é para o cumprimento das promessas de campanha, e aí entra a comunidade GLBT, que votou expressivamente em Obama e agora se sente abandonada ao ver que quase nada acontece...

No dia 10, o gramado do "The Mall" em Washington foi coberto por uma multidão de pessoas, numa daquelas manifestações que fazem a história dos Estados Unidos (e cenas de Forrest Gump). A "marcha nacional pela igualdade" contou com a presença de famosos e discursos emocionados e emocionantes. Três dos quais estão abaixo:

Lady Gaga, Diva, falando pelos jovens.

Cynthia Nixon, maravilhosa, dizendo lindamente que se uma classe de cidadãos não tem direitos, ela é evidentemente vista como inferior pelas outras, que então se sentem livres para o ataque.

Judy Shepard, a mãe do jovem Matthew Shepard, vítima da violência anti-gay, lembra que o presidente só pode agir com a ajuda do povo e que ninguém tem o direito de dizer de que forma devemos amar.

A vitória veio com a aprovação do projeto de lei contra crimes de ódio, batizado em homenagem a Matthew Shepard, que é efetivamente a primeira lei a proteger a comunidade GLBT estadunidense em âmbito nacional. Só falta o Obama assinar, e finalmente ele terá saído do marasmo e merecido o prêmio, que muitos críticos disseram ter sido o primeiro Nobel "preventivo", pois serviria justamente para dar a Obama o estímulo necessário para agir... Vamos ver.

Uma amiga me disse que muito do que é comentado aqui é sobre os EUA, e é claro que isso é em parte culpa da minha americanização assumida, mas o caso é que não há muita coisa a dizer sobre nós por enquanto. Quem sabe se aqui a gente se mobilizasse para ocupar as ruas de Brasília e exigir igualdade?

Bom, para não dizer que nada acontece, dia 01 temos a Parada do Orgulho aqui no Rio. Independente da festa, é também um ato político e por isso mesmo, válido.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Eu tive um sonho ou We're back!

Estágio novo, Festival de Cinema do Rio, trabalhos cansativos e acabamos nos afastando por quase um mês. Para os que sentiram falta: obrigado! Para os que nem repararam ou se importaram: estamos de volta e com ganas de melhorar.

Mais uma parada do orgulho no Rio, mais uma parada proibida pelo preconceito de seus governantes - dessa vez em Caxias. E eu continuo pensando em que diabos estavam pensando quando nomearam a cidade do Rio como um dos melhores destinos gays. Esse povo nunca ouviu falar na palavra coió.

Todo gay da cidade conhece alguma história ou conhece alguma vítima. Tudo bem, acontece em muitas cidades e é por isso que eu fui no site e votei na Argentina. Se é pra votar num país latinoamericano que seja lá. Pode ter coió na Argentina, mas lá gays podem casar, com ressalvas, mas podem. Além de tudo os argentinos investem no turismo gay enquanto aqui no Rio a única propaganda que atrai gringos são as promessas de belos descamisados na praia.

Eu não estou reclamando, as coisas são como são, por ora. E foi isso que eu lembrei enquanto escutava a linda música da Gwen Stefani sobre segregação racial. Na música há trechos do discurso do Martin Luther King e confesso que fiquei emocionado ao perceber que o sonho dele nunca esteve tão próximo quanto agora com a eleição do Barack Obama.

Fico triste em pensar que talvez eu também não viva para ver o sonho de direitos iguais para todos sem distinção, também, de orientação sexual no Brasil. Mas tenho certeza de que quando a hora chegar alguém ficará tão feliz quanto eu...


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tá na mídia!

Cinco dias depois da Parada de São Paulo, é natural que suas reminiscências ainda estejam pipocando na mídia, especialmente na "Mídia Gay".

Hoje me deparei com este artigo da revista ACAPA, que está em perfeita sintonia com as dicussões aqui do P-Files. Leiam.

Muito interessante o questionamento final, sobre liberdade de um dia e a reação dos heterossexuais à Parada. Dá o que pensar...
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Sobre o caso Marcelo, a polícia trabalha também com a hipótese de latrocínio, já que a vítima teve seu celular roubado naquele dia, e não participou da Parada.
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Parece que a "bomba" no fim da Parada era um rojão, mas aparentemente é "tendência". Um seleto clube gay do Rio teve o portão detonado por uma bomba no mesmo dia.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A parada é essa!


Pois é, por muito pouco, a maior parada do Orgulho do mundo não contou com a minha fabulosa participação.

Estava eu prosaicamente voltando da minha reunião semanal de colecionadores de brinquedos (sim gente, eu sou gostoso, mas sou MUITO nerd!), quando meu telefone toca e é um dos meus três melhores amigos homens, dizendo que seu namorado possuidor de um carro deu a louca, vai na parada, e que eu podia ir também. Como a chance de eu um dia coçar o bolso para ir me meter na multidão suada, mesmo que por Orgulho, é remota, me animei. Mas o plano não deu certo, e não foi dessa vez que a Paulista me viu em plumas cor de rosa...

Mas, mesmo sem mim, a parada aconteceu. Pouco depois do meio-dia,numa tarde fria, mas ensolarada, milhares de gays, lésbicas, transgêneros e simpatizantes desfilaram fantasias, sensualidade e alegria, num grito de orgulho que nunca se calará.
Com esquema especial nos hotéis, já que o evento é o principal acontecimento turístico da megalópole, o pink money correu nesse feriadão.

Apesar do grande número de furtos em eventos desse porte, a polícia registrou menos ocorrências do que no ano passado, e em geral a parada correu tranquilamente.
O único grande problema foi já na dispersão, quando uma bomba jogada de um prédio feriu cerca de 20 pessoas...

A campanha "Não Homofobia" conseguiu cerca de mil assinaturas a mais, o que não é muito, mas serve para algo.

Fica claro que, aqui no P-Files, as opiniões sobre a parada divergem. Quer dizer, até concordamos no que diz respeito a ser "anti-carnaval", que eu não suporto muvuca, mas li uma frase (queria me lembrar de quem...), que dizia que se assumir é que nem reciclagem. Se você recicla, faz a sua parte pelo ambiente. Se você se assume, faz a sua parte pelo movimento gay.

Como já disse aqui, não me sinto em nada diminuído pela pegação que rola na parada. O que choca, o que nos diferencia, é o sexo mesmo. Acho mais político ver um exército de homens se agarrando do que um com um megafone. E no caso da parada, temos alguém dizendo o que importa nos megafones, e a horda de pessoas corajosas o suficiente para usar brilhos e se pegar na rua, dando força para o que está sendo dito.

Eu entendo a desilusão do meu amigo, até por que ele estava lá trabalhando e eu estava só desfilando sem camisa, mas depois de uma vida inteira sendo julgado justamente pela minha sexualidade, não posso aceitar que seja condenável as pessoas exercerem essa sexualidade num dia festivo. Heterossexuais fazem isso o tempo todo, e no Carnaval não há nem esse verniz de politíca (nem deveria, mas enfim...).
E como diz a música: This is my life, gonna hold my head high, gonna live it with pride ´till the day that I die!

Sobre a Parada

Houve um tempo em que o mês de junho representava um mês em que eu procurava participar de todas as atividades referentes a Parada Gay do Rio. Paletras, feiras e trabalho voluntário.

Acho que foi em 2005 em que eu fui voluntário da Parada pela 1a vez. Foi legal ajudar com a adesivagem dos cartazes, conhecer as pessoas envolvidas na preparação, outros voluntários, outras pessoas dispostas a fazer algo além de comparecer e dar pinta (muita, sempre!).

Inicialmente eu fui com uma "amiga" lésbica que tinha conhecido na internet. Nós tinhamos vontade de participar da preparação da parada mas nunca tinhamos alguém pra ir. Então fomos juntos no primeiro dia (se bem me lembro), mas depois ficou difícil para ela ir, então fui alguns dias sozinho mesmo. Eu era mais novo e mais crédulo.

Nesse ano teve um evento oficial pré-parada no Museu da República onde ocorreria uma feira e uma série de palestras. Participei de algumas, muito boas por sinal. No fim do dia seriam distribuídas as camisas dos voluntários que colaborariam durante a parada e seriam distribuídas as tarefas. Como eu estava sozinho e não tinha nenhuma preferência acabei ficando responsável em ajudar na corda do trio das lésbicas.

Resumindo, a parada foi legal. Fiquei até o fim. Foi diferente participar do outro lado do evento. Aprender sobre a logística envolvida e o esforço do pessoal responsável. Não saí de perto da corda por nada. Nem lembro se comi. Recebi várias cantadas. Esbarrei com amigos e conhecidos. E fiquei com a camisa. =D

O problemático pra mim foi a reunião dos voluntários pós-parada. Lá eu escutei sobre como há uma certa "competição" entre as paradas do Rio e de Sampa. Por isso que eu acredito que as datas são tão distantes. Percebi que há um esforço maior em fazer da parada um evento bem-sucedido em números de participantes do que um protesto político capaz de fazer alguma diferença. Mas o que mais me desapontou foi perceber a verdadeiro carnaval que é. Escutar as histórias de pegação na praia e tudo mais. Também era mais ingênuo.

Hoje eu acho a parada um evento bastante interessante, a maior festa gay do mundo, principalmente a de São Paulo. Mas se eu já não gosto de carnaval, a parada eu deixo para os que gostam.