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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Zac Efron, o libertário...

Imagino que todos já tenham visto o hilário vídeo do Zac Efron abaixo, mas já pararam pra pensar no que ele "liberar" quer dizer? Se você for ver no dicionário, lerá que quer dizer libertar (de dívida ou obrigação). No caso do Zac seria libertar-se das obrigações sociais das regras do "bom comportamento" que definem bem como cada gênero deve falar, agir, pensar, querer,...

Escrevi esse post porque acho engraçado quando ouço dizer que o problema dos gays é dar pinta, o que os tornaria menos homens ou mais femininos. O que irrita essas pessoas é que alguns gays, principalmente as Ts, parecem rejeitar o que eles acreditam ser uma verdade universal: Homens são assim, mulheres são assado.

Posso não ser uma pintosa, mas eu dou pinta. Não assumo o título não por preconceito, mas porque não sou uma pessoa extrovertida o suficiente pra despertar a atenção de outras pessoas. Mas acho engraçado como "alguns" percebem que meus gostos, assuntos e tudo mais não condizem com o que eles esperam para um ser do sexo masculino, mas por eu não encarnar o que eles conhecem como um homem gay, me rotulam como diferente, simplesmente.

É difícil se "liberar" toda hora, com qualquer pessoa. Você pode ser expulso do clube /grupo ou sofrer consequências físicas piores. A minha pinta aumenta de volume quando estou com pessoas mais próximas com as quais me sinto seguro suficiente para saber que o modo como eu falo e me expresso não será visto com maus olhos. Mas sei que nem com todos é assim, tem gente que está totalmente inserido na cultura gay mas se recusa a "liberar". O que me parece ainda mais engraçado do que o vídeo porque como uma pessoa pode estar inserida em um grupo social e recusar completamente seus códigos e símbolos?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Militância Inconsciente?

Nessa semana eu estava voltando pra casa e um homem se pôs a frente dos passageiros/platéia e começou a vender um livrinho de Saúde de A a Z. Até aí, nada de novo.

Só que depois ele começou a expressar suas opniões sobre abuso físico contra mulheres e crianças. Eu fiquei sem graça com a "pregação" do repetitivo senhor. Já o meu colega de classe e mais alguns outros passageiros o aplaudiram quando ele terminou, acredito que por deboche. Mas logo eu acompanhei os aplausos, pois admirei o gesto "político" do humilde senhor.


Não foi nesse dia que eu me dei conta de como quem foge do padrão de comportamento está fazendo política mesmo sem saber/querer. Na verdade todo mundo faz política o tempo todo. Dizer "oi" para alguém é político. Fazer questão de não dizer também.

Quem expressa "gratuitamente" o que pensa sobre o que acontece na sociedade acaba passando por louco ou mal educado. Mas como aquele senhor teria a chance de compartilhar a opinião dele com estranhos? Um comercial na TV? Um outdoor? Acho que não. E foi aí que a minha admiração pelos travesti e pintosas 24h/7dias cresceu mais.
Todos sabemos os tipos de constragimentos e abusos que dar pinta acarreta. Quem dá pinta mais ainda. E mesmo assim continuam, se recusando a acatar os papéis sexuais socialmente aceitos. Por que querem ser desse jeito e tem o direito de sê-lo.

O próprio Clodovil, mesmo tendo negado por anos sua homossexualidade, nunca o deixou de ser para o público. Ao mostrar uma postura em acordo com o estereótipo, somos percebidos pelas pessoas como sendo esse estereótipo. Dar pinta é não deixar a sua sexualidade em questão. É dizer com todas as letras, sendo gay ou não.

Alguma dúvida? Procure nos reality shows e veja quem são os gays que dão a cara a tapa publicamente. Geralmente são os que dão um pouco de pinta, porque sabem que as pessoas percebem sem que isso tenha que ser assumido. E isso para mim é mais corajoso e político do que ser "questionável" e/ou "deduzível". Como eu.