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domingo, 6 de setembro de 2009

Transgêneros, TV e Talento

Poucas são as vezes em que membros da comunidade LGBT aparecem de forma positiva na televisão e no caso dos transgêneros, em geral, a probabilidade disso acontecer é ainda menor. Comumente qualquer pessoa que quebre o código social dos gêneros só aparece na mídia como fonte inesgotável de piadas, muitas das quais incrivelmente depreciativas.

Sei que muitas das vezes são transgêneros que conseguem um espaço na mídia pelo seu senso de humor e capacidade de rirem de si mesmos. Mas dificilmente vemos transgêneros representados com naturalidade ou mesmo a entediante assexualidade de gays e lésbicas de novela.

No entanto no último mês bombaram na internet vídeos de dois reality shows onde dois transgêneros se mostram como fortes concorrentes em competições de talento.

A primeira é a dançarina Leyomi do grupo de dança Vogue Evolution que participa de uma competição da MTV americana para escolher o melhor grupo de dança dos EUA.


Já o segundo vídeo foi tirado do programa brasileiro Ídolos daquela emissora de índole...



Em ambos os vídeos a questão da sexualidade é posta em segundo lugar. O destaque, e impacto incial fica por conta do talento, tanto de Leyomi quanto da Lívia Mendes.

Agora é acompanhar a condução da abordagem do assunto nos programas. No MTV eu não duvido que isso não gere conflito nenhum, mas em se tratando daquela emissorinha lá, não ficaria assustado se o número de votação para a Lívia fosse surpreendentemente desconectado numa final...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Militância Inconsciente?

Nessa semana eu estava voltando pra casa e um homem se pôs a frente dos passageiros/platéia e começou a vender um livrinho de Saúde de A a Z. Até aí, nada de novo.

Só que depois ele começou a expressar suas opniões sobre abuso físico contra mulheres e crianças. Eu fiquei sem graça com a "pregação" do repetitivo senhor. Já o meu colega de classe e mais alguns outros passageiros o aplaudiram quando ele terminou, acredito que por deboche. Mas logo eu acompanhei os aplausos, pois admirei o gesto "político" do humilde senhor.


Não foi nesse dia que eu me dei conta de como quem foge do padrão de comportamento está fazendo política mesmo sem saber/querer. Na verdade todo mundo faz política o tempo todo. Dizer "oi" para alguém é político. Fazer questão de não dizer também.

Quem expressa "gratuitamente" o que pensa sobre o que acontece na sociedade acaba passando por louco ou mal educado. Mas como aquele senhor teria a chance de compartilhar a opinião dele com estranhos? Um comercial na TV? Um outdoor? Acho que não. E foi aí que a minha admiração pelos travesti e pintosas 24h/7dias cresceu mais.
Todos sabemos os tipos de constragimentos e abusos que dar pinta acarreta. Quem dá pinta mais ainda. E mesmo assim continuam, se recusando a acatar os papéis sexuais socialmente aceitos. Por que querem ser desse jeito e tem o direito de sê-lo.

O próprio Clodovil, mesmo tendo negado por anos sua homossexualidade, nunca o deixou de ser para o público. Ao mostrar uma postura em acordo com o estereótipo, somos percebidos pelas pessoas como sendo esse estereótipo. Dar pinta é não deixar a sua sexualidade em questão. É dizer com todas as letras, sendo gay ou não.

Alguma dúvida? Procure nos reality shows e veja quem são os gays que dão a cara a tapa publicamente. Geralmente são os que dão um pouco de pinta, porque sabem que as pessoas percebem sem que isso tenha que ser assumido. E isso para mim é mais corajoso e político do que ser "questionável" e/ou "deduzível". Como eu.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Não mexa com as travas!

Na semana passada tivemos aqui o Fashion Rio (sim, somos cariocas). Um dos grandes momentos do evento foi quando a travesti Patrícia Oliveira desfilou pela grife Complexo B. Tititi, bafafá, e no dia seguinte o jornal popular "Meia-Hora" fazia sensacionalismo dizendo que ela já saiu com homens famosos, designando-a pelo termo "bibinha". Na semana seguinte, o mesmo jornal falou sobre o passado da moça no pornô, utilizando o termo "traveco".

Fica claro que eu deveria ler um jornal decente, mas quero falar desse fascínio do travesti. Não diria que isso é coisa só do Brasil, mas acho incrível a posição do travesti na nossa sociedade.

No obrigatório livro "Devassos no Paraíso", João Silvério Trevisan conta a história da homossexualidade no Brasil. Nos anos 80, tivemos o fenômeno Roberta Close. Um travesti que virou símbolo sexual num país conhecido pelo machismo e pelo falso moralismo.

Falso moralismo por que a grande maioria dos clientes das travestis que vendem seus corpos nas ruas são os machões, pais-de-família, que precisam de uma figura feminina para manter sua masculinidade enquanto são penetrados.

Há muito o que dizer sobre a masculinidade e a delicada teia de atitudes que a sustenta. Por esse tipo de "construção cultural" passam os valores que fazem com que os gays passivos e/ou mais efeminados sejam hostilizados até dentro da comunidade. São valores antigos, que falam da opressão feminina até a sofisticação de se oprimir O feminino.

É como se ser homem, ser esse herói, fosse um privilégio. E nós homossexuais abrimos mão disso, nos rebaixando. Ninguém mais que os travestis, que levam essa trajetória no corpo.

Eu já me senti muito hostilizado por ser gay, mas nunca levei porrada e sempre deu para disfarçar se fosse necessário (horrível, né? Coisas dessa identidade sexual forçada, ai,ai... não deixo de reclamar disso nunca!). Mas no caso dos travestis é bem difícil. E por isso mesmo, eles estão no topo da lista das vítimas de crimes contra homossexuais no Brasil.

Muito mais hostilizados que o "gay-padrão", muitos terminam na prostituição simplesmente por que se veem na rua, sem ter o que comer ou onde morar. Claro, há casos e casos, opções... mas não dá para fingirmos que a maioria dos travestis não trabalha dessa forma. E se é assim, é por que motivo há.

São raros os casos como o de Leilane Assunção, que inicia seu doutorado nesse ano. Mas como em tudo na "vida gay", é um grande avanço.

Sobre o título, tirei desse vídeo. Se tem uma coisa que nós podemos fazer é nos divertir com a nossa cultura e fazer piada de nós mesmos.


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Então nesta primeira semana de BBB tivemos a eliminação da moça que tinha sido indicada por voto combinado. O Pedro Bial disse que o público, que é o jogador mais poderoso do programa, se sofisticou. Tenho minhas dúvidas por que a menina faz esse estilo apagadinha que é o ideal para a primeira eliminação, mas gostaria muito se o povo finalmente estivesse pensando como eu (megalomania...), e vendo que esse jogo não é para premiar a virtude.
E que bom que o gatão entrou, né?
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É triste, mas o meu computador está de gracinha. Então, se eu sumir, é por isso. Estou tentando salvar os meus arquivos para tentar formatar, mas começo a achar que não existem DVDs o suficiente para tanta pornografia... oh, céus!
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E vamos aplaudir a estréia do Literatum aqui no blog! Eu ainda estou tentando puxar uma amiga hétero para cá, para dar um ponto de vista feminino (daquele tipo de mulher diva que tem vários amigos gays...), mas temos agora essa colaboração cultural, sempre com dicas valiosas de filmes, livros, artigos e coisas legais. Os homens, deixa que eu recomendo, a não ser que seja num daqueles livros bonitos da Taschen.

Aliás, a minha recomendação de filme e especialmente de livro é o clássico "...E O Vento Levou". Não temos nada gay ali, mas uma mulher forte que supera tudo e ainda se veste com as cortinas para seduzir um cara tem o seu apelo. E o livro é bem legal.