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sábado, 5 de setembro de 2009

Amor, sexo e pais homofóbicos... ou"Tranformei meu filho em bicha?"

Na sexta passada teve a estréia de "Amor e sexo", novo programa da Rede Globo, apresentado por Fernanda Lima. Nos moldes do "Altas Horas", mas centrado em sexo, ainda não vi muita coisa para dar uma opinião conclusiva, mas acho legal termos um espaço para falar do assunto na emissora.

Além de joguinhos e matérias, o programa conta com uma sexóloga para responder as perguntas do público com embasamento, e o politicamente correto e a modernidade vão garantir que as posições oficiais sejam sempre gay-friendly. Mas é claro, num programa que recebe ligações externas e faz pesquisa na rua, temos que tudo...

No programa de hoje, um pai preocupado ligou para dizer que seu filho é homossexual, e queria saber se pode ter contribuído para que ele optasse por isso, e se há algum tratamento que possa reverter isso.

A doutora falou lindamente sobre como a homossexualidade não é uma doença, e que uma reversão da condição não deve ser buscada. Falou de amor e aceitação, e de como os pais podem afetar seus filhos com uma rejeição do tipo. Depois, foi exibida uma pesquisa nas ruas, com uma maioria de respostas positivas, embora muitos tratem da orientação sexual como algo opcional. De maneira realista, falou-se da surpresa e do choque inicial, mas o amor saiu ganhando como argumento. Uma exceção foi um senhor (que eu nem achei o mais másculo da paróquia...) dizendo que não aceitaria ter um filho gay, pois isso seria sinal de que não o criou bem.

Ok, eu posso ser pouco nobre, mas quando escuto algo assim, tal é a minha revolta que só penso em homicídio mesmo...

Recentemente tivemos a polêmica daquela pseudo-psicolóloga, Rozângela Justino, que disse ter "curado" vários gays, e que se sentia ameaçada pela "militância gay nazista". O assunto acabou passando sem menção aqui no blog, acho até que por ela ter recebido o CHAMADO divino quando comprou um disco do Chico Buarque que veio com músicas de louvor no lado B (um milagre, é claro).

Pode ser também por que eu acho que as pessoas devem ser livres para procurar o que julgarem certo, inclusive uma reversão de seu desejo sexual, ainda que eu só possa concluir, pela minha vivência, que tal esforço é ridículo.

Vou reproduzir abaixo um trecho da carta à psicóloga publicada por Jean Willys:

É possível que os oprimidos se identifiquem com a ideologia de seus opressores mesmo sem terem consciência disso. É por isso que podem existir negros racistas e homossexuais moralistas. E é por isso também, minha senhora, possível que muitos homossexuais que não resistam às pressões e violências diversas impostas pela ordem em que vivemos tenham procurado seu “consultório” em busca de “cura” para a homossexualidade. A este comportamento nós chamamos de homofobia internalizada. Se a senhora fosse uma psicóloga competente e ética, saberia que os objetivos de uma terapia psicológica não podem ser definidos em termos de mudanças de comportamento do paciente. A cura no sentido de restabelecimento do estado anterior a uma doença é um privilégio da medicina e só existe para patologias provocadas por vírus, bactérias ou fungos ou por disfunções orgânicas e hormonais ou, ainda, para certos tipos de câncer. Homossexualidade não é doença, logo, não precisa de cura.

Fica o recado para os pais preocupados então (o que ligou para o programa já teve resposta). Amem seus filhos. Um filho é uma pessoa diferente de você, com quem não necessariamente você vai se identificar, com idéias próprias que não necessariamente você vai apoiar. Cabe, então, o viva e deixe viver. O respeito. E isso já requer uma grande quantidade de amor.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Terapia Afirmativa", de Klecius Borges

A dica do evento é para os leitores de São Paulo (temos algum?), mas a dica do livro é geral:

As Edições GLS e a Livraria da Vila – Lorena (SP) promovem no dia 5 de agosto (quarta-feira), das 19h às 22h, a noite de autógrafos do livro Terapia afirmativa – Uma introdução à psicologia e à psicologia dirigida a gays, lésbicas e bissexuais, do psicólogo Klecius Borges. No início do evento, haverá um bate-papo com o autor no auditório da livraria. A obra – pioneira no Brasil – trata da chamada terapia afirmativa, surgida como contraponto às visões tradicionais que consideram a homossexualidade uma forma patológica ou imatura de expressão afetiva/sexual. O evento acontece no piso térreo da livraria, que fica na Alameda Lorena, 1731 – São Paulo.

A abordagem psicológica conhecida como psicologia afirmativa, que foi criada a partir de um amplo conjunto de evidências biológicas, psicológicas e sociais, surgiu principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Essa abordagem considera a homofobia, e não a homossexualidade, a principal responsável pelos conflitos vivenciados por homossexuais.

De acordo com a visão afirmativa, a identidade homossexual é expressão natural, espontânea e positiva da sexualidade humana, em nada inferior à identidade heterossexual.Essa nova forma de abordar a homossexualidade, tanto do ponto de vista conceitual quanto do clínico, é tema do livro. Nele, Borges reúne informações e orientações que visam a combater o preconceito e a discriminação em um lugar em que a singularidade, a intimidade e as escolhas individuais devem ser abordadas com respeito ímpar: o consultório psicoterápico.

“Os terapeutas que adotam a abordagem afirmativa transmitem aos pacientes absoluto respeito por sua sexualidade, sua cultura e seu estilo de vida”, afirma o autor. A terapia afirmativa utiliza os métodos psicoterápicos tradicionais, mas parte de uma perspectiva diferente.

Pioneiro no Brasil, o livro fornece as bases para compreender a terapia afirmativa, intercalando elementos teóricos e dicas práticas. Além de apresentar os conceitos, os fundamentos e a base histórica dessa abordagem psicoterápica, o autor se dirige a gays, lésbicas e bissexuais que desejam se submeter à terapia, orientando-os na busca de um profissional adequado. Ao mesmo tempo, fornece aos terapeutas informações essenciais, descrevendo vários exemplos práticos da clínica homoafetiva e mostrando como se preparar para atender gays e lésbicas de forma afirmativa. “O livro preencherá uma lacuna importante, já que há pouquíssima informação sobre a psicologia homossexual e o trabalho psicoterapêutico dirigido ao publico gay”, esclarece Borges.

A obra é o resultado de oito anos de dedicação profissional. Nesse período, o psicólogo atendeu, em sua clínica, exclusivamente homossexuais e familiares destes e participou também de inúmeros grupos de discussão e de orientação no Brasil e nos Estados Unidos. “Acumulei um volume considerável de histórias pessoais e casos clínicos que me permitem falar com segurança sobre a experiência brasileira de uma psicologia especificamente voltada aos gays”, revela Borges.

Dividido em sete capítulos, o livro aborda minuciosamente um termo que ainda não é empregado nem reconhecido oficialmente no Brasil. “A abordagem afirmativa não é uma escola nem uma técnica, e sim uma atitude diante da homossexualidade”, explica o autor. A obra traz também extensa bibliografia e anexos com orientações e recomendações propostas por organismos internacionais de saúde mental.

O autor

Klecius Borges é psicólogo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participou de diversos cursos nos Estados Unidos e, nos últimos oito anos, vem se dedicando ao atendimento psicológico de gays e seus familiares, de acordo com a visão afirmativa. É autor do livro Desiguais (Fábrica de Leitura, 2008), colabora com diversos veículos de comunicação e promove palestras sobre homoafetividade em empresas e organizações.

O preço médio será de R$ 28,00, e vale a pena visitar o site da editora.