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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bravo! e a "estética homossexual".

A ótima revista "Bravo!" traz um interessante artigo sobre a "estética homossexual". Leiam, principalmente a parte dos comentários, onde a discussão ficou deliciosa...

Pessoalmente, acho que o ponto discutível é a não existência do homossexual. Sei que esse nome foi criado pela psicanálise a relativamente pouco tempo, mas a partir do momento que o termo foi aceito e usado para "catalogar" pessoas, ele foi legitimado.

Digo isso por que a homossexualidade como prática sempre existiu, mas a partis do momento que isso foi nomeado e características foram apontadas como sintomas, por mais preconceituoso que parece, criou-se a identidade homossexual.

Assim, é natural que guardadas as devidas proporções, tenhamos um comportamento homossexual (e não me refiro à pratica sexual) e algo que pode ser definido como a "estética homossexual".

Enfim, leiam o texto e comentem.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Terapia Afirmativa", de Klecius Borges

A dica do evento é para os leitores de São Paulo (temos algum?), mas a dica do livro é geral:

As Edições GLS e a Livraria da Vila – Lorena (SP) promovem no dia 5 de agosto (quarta-feira), das 19h às 22h, a noite de autógrafos do livro Terapia afirmativa – Uma introdução à psicologia e à psicologia dirigida a gays, lésbicas e bissexuais, do psicólogo Klecius Borges. No início do evento, haverá um bate-papo com o autor no auditório da livraria. A obra – pioneira no Brasil – trata da chamada terapia afirmativa, surgida como contraponto às visões tradicionais que consideram a homossexualidade uma forma patológica ou imatura de expressão afetiva/sexual. O evento acontece no piso térreo da livraria, que fica na Alameda Lorena, 1731 – São Paulo.

A abordagem psicológica conhecida como psicologia afirmativa, que foi criada a partir de um amplo conjunto de evidências biológicas, psicológicas e sociais, surgiu principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Essa abordagem considera a homofobia, e não a homossexualidade, a principal responsável pelos conflitos vivenciados por homossexuais.

De acordo com a visão afirmativa, a identidade homossexual é expressão natural, espontânea e positiva da sexualidade humana, em nada inferior à identidade heterossexual.Essa nova forma de abordar a homossexualidade, tanto do ponto de vista conceitual quanto do clínico, é tema do livro. Nele, Borges reúne informações e orientações que visam a combater o preconceito e a discriminação em um lugar em que a singularidade, a intimidade e as escolhas individuais devem ser abordadas com respeito ímpar: o consultório psicoterápico.

“Os terapeutas que adotam a abordagem afirmativa transmitem aos pacientes absoluto respeito por sua sexualidade, sua cultura e seu estilo de vida”, afirma o autor. A terapia afirmativa utiliza os métodos psicoterápicos tradicionais, mas parte de uma perspectiva diferente.

Pioneiro no Brasil, o livro fornece as bases para compreender a terapia afirmativa, intercalando elementos teóricos e dicas práticas. Além de apresentar os conceitos, os fundamentos e a base histórica dessa abordagem psicoterápica, o autor se dirige a gays, lésbicas e bissexuais que desejam se submeter à terapia, orientando-os na busca de um profissional adequado. Ao mesmo tempo, fornece aos terapeutas informações essenciais, descrevendo vários exemplos práticos da clínica homoafetiva e mostrando como se preparar para atender gays e lésbicas de forma afirmativa. “O livro preencherá uma lacuna importante, já que há pouquíssima informação sobre a psicologia homossexual e o trabalho psicoterapêutico dirigido ao publico gay”, esclarece Borges.

A obra é o resultado de oito anos de dedicação profissional. Nesse período, o psicólogo atendeu, em sua clínica, exclusivamente homossexuais e familiares destes e participou também de inúmeros grupos de discussão e de orientação no Brasil e nos Estados Unidos. “Acumulei um volume considerável de histórias pessoais e casos clínicos que me permitem falar com segurança sobre a experiência brasileira de uma psicologia especificamente voltada aos gays”, revela Borges.

Dividido em sete capítulos, o livro aborda minuciosamente um termo que ainda não é empregado nem reconhecido oficialmente no Brasil. “A abordagem afirmativa não é uma escola nem uma técnica, e sim uma atitude diante da homossexualidade”, explica o autor. A obra traz também extensa bibliografia e anexos com orientações e recomendações propostas por organismos internacionais de saúde mental.

O autor

Klecius Borges é psicólogo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participou de diversos cursos nos Estados Unidos e, nos últimos oito anos, vem se dedicando ao atendimento psicológico de gays e seus familiares, de acordo com a visão afirmativa. É autor do livro Desiguais (Fábrica de Leitura, 2008), colabora com diversos veículos de comunicação e promove palestras sobre homoafetividade em empresas e organizações.

O preço médio será de R$ 28,00, e vale a pena visitar o site da editora.

De Profundis

Passadas as primeiras páginas e a forte sensação de estar lendo algo que eu não deveria - pelo livro parecer um diário e na verdade ser composto de cartas dirigidas a Bosie (Lord Alfred Douglas) - o que mais me tocou na obra foi a "inocência" do amor de Oscar Wilde por seu objeto de afeição.

Wilde, tido como forte crítico dos costumes da sociedade inglesa de seu tempo, parece não ter sido vendado por seus sentimentos por Bosie. O que mais me entristeceu foi a cegueira de Bosie em relação a seu amado.

Se os fatos da relação dos dois apontados por Wilde realmente aconteceram é triste pensar que um intelectual como ele não percebeu o interesse (pouco romântico) de Lord Alfred. O que me faz perguntar se eu só consigo perceber essa coisas por essa ser uma história comum, principalmente entre homens gays: a história de um homem mais velho e estabelecido que se envolve com um rapaz mais bonito e mais jovem que, digamos, quer aproveitar as coisas boas da vida e que a mesada do pai não possibilita.

Não estou dizendo que eu já não pensei nisso, mas é que pra mim é difícil aceitar que sentimentos obscureçam a razão, e ainda mais que esses sentimentos resistam a uma condenação de dois anos de trabalho pesado em uma prisão e uma dívida tão grande que deixa Wilde na miséria, além do ostracismo pela condenação como imoral em uma sociedade tão... rígida quanto a inglesa do fim do século retrasado.

Pra quem quiser saber mais um pouco sobre a história dos dois...

E pra quem quiser ler alguma obra do Wilde eu aconselho O Retrato de Dorian Gray.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Feito Homem


Aproveitando o tempo vago, corri aqui pra postar porque o LD pretende ocupar o blog com análises de vídeos publicitários gays. E foi falando com ele sobre o seu colega reacionário que eu lembrei desse livro, pois ele me disse que durante as argumentações e contra-argumentações ele perguntou ao garoto o que faz do homem um homem. Algo que um homófobozinho não tem como responder, porque até ele sabe que o fato de ter uma namorada não quer dizer muita coisa.

Ao livro. Norah Vincent, uma jornalista norte-americana(e também lésbica), um dia é desafiada por uma amiga drag king a se vestir de homem e aceita. Depois de experimentar a sensação de não ser encarada com lascívia por homens na rua e a segurança que esse "anonimato" a transmite ela decide investigar como é ser um homem realmente. E a história do livro começa aí, na preparação do personagem Ned que a faz aprender a aplicar barba postiça e usar uma prótese peniana.

Prótese peniana? É, o livro tem momentos engraçados. O texto é muito bem escrito. É sincero e intrigante. Ela nos conta não só da sua experiência como homem mas das pessoas e principalmente dos homens que ela encontra. Norah viveu 18 meses como um. Ingressou numa liga de boliche masculina, trabalhou como vendedor de porta-em-porta num ambiente de trabalho extremamente competitivo, passou três semanas em um monastério, teve encontros românticos com mulheres, frequentou clubes de strip-tease e participou de um retiro para homens entrarem em comunhão.

Norah, por ser mulher e lésbica, tem uma visão bem crítica do comportamento masculino, sua "arrogância" e "liberdade", mas no decorrer de sua jornada compreende as pressões, anseios e desejos que cercam a figura masculina. Isso nos dá um retrato bem interessante do que é ser homem numa sociedade machista como a nossa. Ao fim do livro a autora acaba entrando em um processo de depressão devido a censura da expressão de emoções a que ela se impõe para fazer de Ned um personagem convincente.
FEITO HOMEM (SELF-MADE MAN: A WOMAN'S JOURNEY TO MANHOOD AND BACK)
Autor: VINCENT, Norah
Editora: Planeta
No. de páginas: 302
Preço médio: R$ 33,00

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Devassos no Paraíso: A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade

Como disseram aqui no blog, este livro é leitura obrigatória.

"Devassos no Paraíso", de João Silvério Trevisan, fala da homossexualidade em nosso país como um todo. Traça seu perfil histórico e sociológico.

A introdução discute a questão da identidade homossexual que tanto permeia esse blog, com a centralização em sê-lo no Brasil. A parte histórica começa com a inquisição e o "Deus punitivo" e segue até os anos em que a homofobia procurava na ciência a razão para se justificar. Continua com o papel do homossexual na arte, na mídia e no século XX, chegando a "manipulação da homossexualidade" pela sociedade atual. O que nos faz constatar que temos um passado, um legado, isso sem esquecer da epidemia da AIDS e do nosso papel nela. Nos apêndices, Trevisan fala mais sobre o vírus, integração social e as paradas do Orgulho.

Além das informações valiosas, o livro desperta o interesse por mostrar o absurdo que faz parte do nosso país. Só no Brasil é possível um transexual ser um sex-symbol enquanto travestis são mortos à pedradas. Só aqui há paradas de Orgulho com mais de um milhão de pessoas e campanhas políticas nos acusando de espalhar doenças.

Há críticas ao comportamento da sociedade que nos hostiliza, mas também ao mundinho gay e suas picuinhas.

Sem dúvida, o primeiro livro que um cidadão brasileiro que se interesse pela questão do homossexual em nosso país deve ter na prateleira. E não pra ficar de enfeite.

*

DEVASSOS NO PARAÍSO
Coleção: CONTRALUZ
Autor: TREVISAN, JOÃO SILVÉRIO
Editora: RECORD
Nº de páginas: 586

Preço médio: R$ 60,00